Bloggers: a moda veste a cor que eles escrevem

Ditam tendências e conquistam milhares de seguidores na internet. Os blogues são o novo negócio dos bastidores da moda

O primeiro texto foi publicado em 2004, sem a mínima noção de que aquele projeto se tornaria o seu ganha-pão. Ana Garcia Martins, A Pipoca Mais Doce na blogosfera, recebe diariamente entre 30 e 50 mil visitas. Os números traduzem doze anos de trabalho e apenas há sete começou a receber retorno financeiro. "O blogue é a minha principal fonte de rendimento, com todos os negócios paralelos que foram surgindo em torno dele", afirma Ana Garcia Martins, de 35 anos, que entregou há quatro a carteira profissional de jornalista para se dedicar em exclusivo ao projeto.

Diogo Cunha, autor de Basic Style, ambiciona conquistar a mesma posição. Criou a plataforma em 2011 e publica regularmente desde 2014, dando assim asas à paixão pelo mundo da moda. Hoje, reúne uns tímidos dois mil gostos no Facebook e uns impressionantes 50 mil seguidores no Instagram. No entanto, não desiste de procurar rentabilizar o seu projeto. Quando não é solicitado para parcerias, toma a iniciativa: "Entro em contacto com as marcas, sugiro o que posso fazer com o produto e apresento o meu orçamento."

A capacidade de influenciarem aquilo que será, ou não, tendência de moda transformou-os em vias alternativas de publicidade. "A grande vantagem em relação a outros meios de comunicação está na interação direta entre a marca e a pessoa que vai escrever o artigo." Além disso, "é muito fácil o consumidor final colocar uma pergunta e obter uma resposta quase de imediato. Isso interessa a todos", explica Ana Gomes, de 28 anos, e responsável pelo blogue A Melhor Amiga da Barbie, que recebe diariamente sete mil visitas.

Um desfile de ilusões?

O sucesso dos blogues é definido a partir de dois pilares: dedicação profissional e seguidores. José Cabral, O Alfaiate Lisboeta, afirma-se ciente dessa condição e critica os bloggers que "não acham necessário dizer às pessoas que a base daquele artigo é a solicitação de uma dada marca". Para José, esses sites tornaram-se "concentrados de likes sem os mais elementares princípios ou inspiração ética".

A par dos blogues rentáveis, José retirou proveito financeiro do seu projeto, ainda que esclareça : "À exceção de alguns banners publicitários, as receitas não vinham diretamente do blogue, mas de atividades que eu exercia por ser o autor do Alfaiate."

A subtil ideia de que os blogues de moda se tornaram fontes de rendimento inspirou centenas de jovens a migrarem para estas plataformas com propósitos comerciais. "A premissa da sua criação está invertida. Hoje em dia já se cria um blogue a pensar como é que se pode ganhar dinheiro com ele, enquanto há 8 ou 10 anos fazia-se por prazer", afirma Margarida, uma das autoras da plataforma Style It Up.

Ana Garcia Martins, por seu turno, reconhece que esta "é uma profissão emergente", o que faz que as pessoas criem o blogue já "com um objetivo definido, seja ele serem conhecidas, receberem produtos e ganharem dinheiro". E defende que o "gosto genuíno" por aquilo que se faz continua a ser o segredo para um projeto de sucesso.

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