Trump indultou antigo membro da administração Bush condenado por perjúrio

O Presidente norte-americano, Donald Trump, indultou hoje Lewis "Scooter" Libby, um membro da administração Bush condenado por mentir à polícia federal (FBI) em 2007, uma decisão interpretada como uma mensagem aos seus colaboradores envolvidos no inquérito russo.

Libby, antigo chefe de gabinete do vice-Presidente Dick Cheney, foi considerado culpado de perjúrio e obstrução à Justiça num caso relacionado com a justificação da guerra no Iraque.

"Não conheço o senhor Libby, mas ouço dizer, desde há anos, que ele foi tratado de forma injusta. Espero que este indulto total ajude a retificar uma parte muito triste da sua vida", disse Trump em comunicado.

A decisão de amnistiar Libby foi criticada pela oposição, tendo-se a líder dos democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, insurgido com o facto de "a obstrução à Justiça ser recompensada".

"É a forma de o Presidente enviar uma mensagem a todos aqueles que estão envolvidos no inquérito russo: vocês têm o meu apoio e eu terei o vosso", condenou também na rede social Twitter o democrata Adam Schiff, membro da comissão dos Serviços Secretos da câmara baixa do parlamento norte-americano.

Libby foi condenado em junho de 2007 a dois anos e meio de prisão de 250.000 dólares de coima no caso Valerie Plame.

Plame era a mulher do antigo embaixador Joseph Wilson, que acusou a administração Bush de ter exagerado a ameaça iraquiana e de ter mentido sobre as pretensas armas de destruição maciça de Saddam Hussein.

Em julho de 2003, a imprensa norte-americana noticiou que Plame era agente da CIA (Agência Central de Informações norte-americana).

Ora, constituindo uma tal revelação um crime federal, apesar de Libby não ter sido acusado de ser a fonte da fuga da informação, foi condenado por ter mentido durante o inquérito.

Contudo, foi parcialmente amnistiado pelo então Presidente, George W. Bush, que o poupou à prisão.

No seu comunicado de hoje, Trump recorda que Scooter Libby "pagou uma coima de 250.000 dólares, fez 400 horas de trabalho comunitário e esteve dois anos em liberdade condicional".

Em 2015, uma das principais testemunhas da acusação retratou-se e, no ano seguinte, Libby recuperou o seu direito a exercer a profissão de advogado, acrescentou o Presidente, para justificar a sua decisão.

Valerie Plame condenou, em declarações à estação televisiva MSNBC, esta decisão, considerando que "é uma mensagem clara" enviada por Trump.

Um sinal de que "podem cometer crimes contra a segurança nacional e serão indultados", disse a ex-agente secreta norte-americana, referindo-se aos colaboradores próximos do Presidente republicano formalmente acusados no âmbito do inquérito conduzido pelo procurador especial Robert Mueller sobre uma ingerência russa nas presidenciais de 2016, que o elegeram.

O ex-diretor de campanha do candidato republicano, Paul Manafort, e o antigo conselheiro presidencial para a Segurança Nacional Michael Flynn foram formalmente acusados neste caso.

"A mensagem causa muitos danos à democracia e ao Estado de direito", acrescentou Valerie Plame, considerando que Trump demonstra "uma grande falta de respeito por aqueles que serviram o seu país".

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, desmentiu que esta amnistia seja "uma espécie de sinal sobre a investigação do senhor Mueller".

"Uma coisa não tem nada que ver com a outra. Cada caso deve ser analisado em função dos seus próprios méritos", afirmou.

Trump já tinha provocado uma polémica semelhante ao indultar, em agosto de 2017, o antigo xerife Joe Arpaio, condenado pelos seus métodos policiais discriminatórios em relação aos imigrantes ilegais.

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