Zona de Santos sem ajuntamentos no dia em que tudo fechou mais cedo

As autoridades fazem um balanço positivo da iniciativa de encerrar bares e restaurantes três horas mais cedo para evitar ajuntamentos

As largas centenas de jovens que se encontravam na zona de Santos, em Lisboa, começam a dispersar pelas 23:00, hora em que os restaurantes e bares encerraram esta quinta-feira para evitar os ajuntamentos de milhares de pessoas.

Numa medida piloto que envolveu a junta de freguesia da Estrela e 13 empresários da área da restauração e bares de Santos foi decidido antecipar três horas o encerramento dos locais até domingo de modo a controlar os ajuntamentos noturnos que têm sido habituais naquela zona ribeirinha.

Além do encerramento dos estabelecimentos, a PSP destacou para a zona vários agentes que circularam em grupo e fiscalizaram o cumprimento das regras e impediram os ajuntamentos.

Os jovens cumpriram as ordens dos donos dos estabelecimentos e saíram ordeiramente quando estes encerraram, constatou a Lusa no local. No entanto, para muitos esta medida "não faz muito sentido"

PSP com balanço positivo

O comissário do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP Dinarte Diniz referiu que as pessoas começaram a abandonar o local à hora exata e de forma ordeira.

"O balanço é manifestamente positivo, como verificamos aqui, não se vê praticamente ninguém. As pessoas começaram a dispersar logo após as 11 da noite e mesmo antes, não verificou qualquer ajuntamento em demasia", anotou.

Com vários agentes do Cometlis destacados para a zona, Dinarte Diniz disse que "não foi necessário" condicionar o acesso às pessoas, alertando que as autoridades também estão "preocupadas" com outras áreas, conhecidas pela diversão noturna, na cidade de Lisboa.

"O policiamento tem de ser dinâmico, nunca pode ser estático, porque a variação de pessoas para aqui e para as zonas do Cais do Sodré e do Bairro Alto pode acontecer. É por isso que temos lá algum policiamento com alguma visibilidade. O foco dos problemas não acontece só aqui nesta zona", observou.

Efeito dissuasor

Também o presidente da Junta de Freguesia da Estrela, que andava com uma brigada de prevenção no local, considerou à Lusa haver "um sentimento muito positivo", face à medida.

"A expectativa que temos é que, a partir do momento que há desmobilização, as pessoas não podem consumir [álcool] na via pública. É ilegal. Isso será um grande dissuasor daqui, de terem esse tipo de consumos e de terem esse tipo de comportamento, que vimos nas redes sociais", disse Luís Newton (PSD), recordando a noite de sexta-feira passada, que juntou milhares de pessoas em Santos.

Admitindo que as pessoas possam regressar àquela zona após a hora de encerramento dos estabelecimentos, o autarca alertou que até podem estar, mas sem "perturbar a ordem pública", para que Santos "seja segura".

Além da PSP estava no local uma equipa de fiscais para controlar o encerramento dos espaços na zona.

Nas últimas semanas, Lisboa tem registado situações de criminalidade violenta em contexto de diversão noturna, nomeadamente no Bairro Alto, Cais do Sodré e Santos, com ocorrências de esfaqueamentos.

O levantamento gradual das restrições em função da vacinação contra a covid-19 arrancou em 01 de agosto, com regras aplicáveis em todo o território continental, inclusive o limite de horário de encerramento até às 02:00 para a restauração.

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