Exclusivo Os grandes das artes ainda moram na fachada do 6 da João Pereira da Rosa

É o edifício onde mais gente da cultura nacional viveu. Escritores, poetas, pintores, ilustradores ali criaram muitas das suas obras, de Ramalho Ortigão a José Gomes Ferreira.

As portas verdes de madeira acusam o passar do tempo e na fachada sobressaem alguns remendos que precisam de tinta, mas este edifício do Chiado é "um sítio que está cheio de boas recordações, cheio de boas memórias, é um exemplo do património cultural como realidade viva". Guilherme d"Oliveira Martins tem um interesse especial pelo número 6 na Rua João Pereira da Rosa, que é o prédio de Lisboa com mais placas evocativas. Estão lá sete, a recordar os ilustres que ali viveram, e uma delas é do tio-bisavô do antigo ministro. "Os meus tios-bisavós aqui viveram e a memória que eu tenho, desde sempre, de pequeno, de passar por aqui, com o meu avô, é uma memória justamente de um lugar que estava cheio de referências", explica.

Daqui saíram inúmeras obras importantes da cultura nacional. "Poemas de José Gomes Ferreira, contos de Ofélia Marques, desenhos, muitos tirados destas janelas, de Bernardo Marques, além dos principais textos que Ramalho Ortigão fez", resume Guilherme d"Oliveira Martins. Porque aqui viveram (e morreram) grandes figuras dos séculos XIX e XX. "Não há outro prédio que tenha tido um conjunto tão grande e isso deve-se a Ramalho Ortigão", realça o atual administrador da Fundação Caloste Gulbenkian. O escritor foi o primeiro célebre a viver aqui, nas águas furtadas, onde recebia com frequência o amigo Eça de Queiroz, com quem escreveu O Mistério da Estrada de Sintra ou As Farpas. Viveu aqui até morrer, o que está imortalizado numa das placas.

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