Câmara rejeita proposta para testar adeptos do Sporting: "populista e sem sentido"

CDS propôs testagem gratuita para quem esteve nos festejos do Sporting, na passada semana. Vice-presidente da autarquia responde que medida seria "inexequível" e que já há meios de acesso a testes grátis.

A Câmara de Lisboa rejeitou esta quarta-feira, com os votos do PS, PCP e Bloco de Esquerda, uma proposta do CDS para testar os adeptos que participaram nos festejos da vitória do Sporting no campeonato, na passada semana, que acabou num ajuntamento de milhares de pessoas, muitas sem máscara nem distância social.

A proposta, que teve o voto favorável dos centristas e do PSD, propunha a "realização de testes" - de forma voluntária e gratuita - "a todos os que, independentemente da sua origem, tenham participado nos festejos da vitória do campeonato de futebol". Isto tendo em conta "as responsabilidades do Município de Lisboa na preparação da cidade para a realização de grandes eventos, assim como as suas competências e atribuições, diretas e indiretas, em matéria de saúde, segurança e ordem pública".

João Paulo Saraiva argumenta que a proposta que hoje foi a votos na reunião da câmara é "populista, inexequível e sem sentido", na "linha de várias outras que o mesmo partido [o CDS]" tem apresentado, além de não trazer "nenhuma vantagem". O vice-presidente da câmara lembra que os munícipes de Lisboa já têm acesso a testagem gratuita nas farmácias da cidade e questiona com que critério esta medida seria alargada: "Dizíamos às farmácias para testar todas as pessoas que aparecessem a dizer que estiveram nos festejos?!" . "É absurdo", diz ao DN.

"Os recursos públicos são escassos e têm de ser aplicados de forma criteriosa e que faça sentido", refere o autarca, sublinhando também que qualquer pessoa que apresente sintomas de covid-19 deve ligar à linha Saúde 24, através da qual tem também acesso a testagem gratuita.

João Gonçalves Pereira, vereador do CDS, devolve as críticas. "É uma lógica economicista e de desresponsabilização que não deveria acontecer. Depois da desorganização e da falta de responsabilização [na organização dos festejos], o mínimo que a câmara devia fazer era alargar a testagem". E se os lisboetas têm acesso a testes, a medida serviria sobretudo para os adeptos sportinguistas dos concelhos limítrofes de Lisboa que se juntaram em Alvalade.

O responsável centrista rejeita que a medida seja inexequível. "Durante cerca de duas semanas devia ser permitido fazer o teste. Não vêm pessoas de todo o país fazê-lo. Não é uma questão logística e teria um custo residual, isso são argumentos estapafúrdios. Há aqui uma teimosia, a câmara quer matar este assunto, que é incómodo", critica João Gonçalves Pereira.

"Não foi o email que autorizou ou impediu a colocação do écrã"

As imagens de uma multidão reunida nas imediações do estádio de Alvalade têm causado polémica, nomeadamente quanto à ação quer da Câmara Municipal, quer da PSP e do Ministério da Administração Interna, que não impediram os ajuntamentos de milhares de pessoas durante as comemorações.

Ontem à noite, no comentário semanal na TVI24, Fernando Medina defendeu que a "Câmara Municipal de Lisboa não tem nenhuma competência na autorização ou na proibição de qualquer manifestação. O que aconteceu nas imediações do estádio de Alvalade foi um ajuntamento de pessoas motivado por uma reunião que está protegida pela Constituição da República Portuguesa - nem no estado de emergência foi suspenso o direito de reunião, que é livre, não carece de autorização". "Quando é que pode ser impedido? Quando coloca em causa a tranquilidade e a ordem pública. Quem é que o pode fazer? A polícia e o Ministério da Administração Interna. As câmaras municipais não têm competências na ordem pública", sustentou.

Quanto ao mail que a PSP enviou à câmara, a desaconselhar a instalação de um écrã gigante em Alvalade, o presidente do município diz que foi "um lapso" a câmara não o ter visto em tempo útil, mas acrescentando que "não foi esse email que autorizou ou impediu nem a colocação do écrã nem a realização da manifestação". Além diso, acrescentou, "a câmara de Lisboa e a polícia não comunicam por email a meio da noite sem confirmar que chegaram, com mensagens importantes sobre eventos importantes na cidade. Não é assim que as instituições comunicam e trabalham, para mais numa altura em que havia equipas de lado a lado a trabalhar em permanência sobre o evento". Segundo Medina, a ter visto o mail em tempo útil, a câmara mais não faria que reencaminhar a mensagem para o promotor do evento e "teria de ser a polícia a dar ordem para retirar" o écrã gigante.

Atualizado com as declarações do vereador do CDS João Gonçalves Pereira.

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