"Hecatombe". 95% do comércio do Bairro Alto fechado devido à pandemia

"Hecatombe". É assim que o presidente da Associação de Comerciantes do Bairro Alto, em Lisboa, classifica a atual situação provocada pela pandemia da covid-19, que encerrou 95% do comércio da zona. O responsável antevê "um futuro sombrio".

"Temos cerca de 400 estabelecimentos fechados, o que equivale a 95% do total no Bairro Alto. Está tudo parado, isto é uma hecatombe", afirmou Hilário Castro, em declarações à agência Lusa, explicando que "quase só estão a funcionar restaurantes em regime de take-away".

O responsável da Associação lembrou que o comércio naquela zona lisboeta "é composto, maioritariamente, por espaços pequenos, que nem por isso deixam de ter o seu 'staff' e grandes encargos".

Hilário Castro considera que "o 'lay-off', ao qual muitas empresas da zona estão a recorrer, é até ao momento o único apoio", pois as restantes medidas de apoio apresentadas pelo Governo "implicam endividamentos".

"O resto [além do 'lay-off'] são empréstimos e endividamentos, que no futuro vão ter que ser pagos, e não sabemos como vai ser o futuro. É irrealista traçar qualquer plano, neste momento a incerteza é grande", afirmou. Admitindo que a "preocupação é geral", Hilário Castro considerou que "ninguém consegue garantir que no futuro os comerciantes vão ter receitas para fazer face aos compromissos assumidos".

O presidente da ACBA referiu também que nas últimas semanas o "turismo acabou", numa das zonas mais procuradas da cidade, tanto no comércio como no alojamento. Considera que, "por agora, o importante é respeitar as ordens para ficar em casa", admitindo que no futuro o trabalho do Turismo de Portugal será muito importante para aquele bairro lisboeta.

"O pós-crise será muito difícil, porque a crise é global. Esperamos que o Turismo de Portugal continue a promover bem a cidade, como tem feito até aqui", disse.

Dívidas não permitem créditos

Na quarta-feira, os comerciantes da Baixa de Lisboa avisaram que muitas lojas do centro histórico da capital vão fechar, por não terem acesso às linhas de crédito, devido a dívidas. "É uma matéria que não tem sido debatida e que é grave, porque muitas empresas não têm acesso ao 'lay-off'. Não são contempladas, porque basta ter algum atraso na Segurança Social ou no fisco", afirmou o presidente da Associação de Valorização do Chiado (AVChiado), Victor Silva.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente referiu que os comerciantes estão preocupados com os impactos da pandemia da covid-19 no comércio, acrescentando que as "Lojas Com História" serão as primeiras a entrar em rutura.

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