A loja de revistas que recusa afastar-se dos clientes

A Under The Cover continua a funcionar sem atrasos e com os títulos irreverentes de sempre. Os cuidados de higienização são agora redobrados e o horário da loja física reduzido apenas a funcionar como ponto de recolha de encomendas, mas a proximidade com o cliente não ficou para trás.

Arturas Slidziauskas, 33 anos, é médico num centro de saúde a tempo inteiro e Luís Cunha, 34 anos, era veterinário. Em 2015 criaram a Under The Cover, uma loja de revistas independentes. "São assuntos de nicho mas tentamos ser o mais abrangentes possível - cães, gatos, gastronomia, motas, arte, cultura, fotografia... não param de nos surpreender os temas que são abordados" conta Luís.

A loja, em São Sebastião, Lisboa, fica mesmo em frente a uma das entradas principais dos Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, e foi idealizada e criada por ambos, inspirada em lojas estrangeiras nas quais se perdiam durante horas, como a Do You Read Me?!, em Berlim.

"Sentimos que estávamos a assistir a um momento de explosão de novas revistas e que não havia nenhuma loja em Lisboa a explorar isso, como noutras capitais europeias que encontrávamos nas nossas viagens" acrescenta Luís.

"A loja foi feita de raiz com a ajuda de amigos: uma designer que fez o logótipo e criou marca e um grande amigo italiano tratou do design interior" Luís conta e reforça que construir a loja tem sido um constante processo de aprendizagem, quer a termos pessoais quer em questões mais práticas como, por exemplo, a parte da gestão financeira - na qual ambos se assumem autodidatas.

Agora, sobretudo online

O espaço online, que tem funcionado essencialmente como complemento à loja física, é agora onde tudo se passa, devido à pandemia da covid-19. A encomenda é enviada para a morada de entrega indicada ou recolhida pelo cliente na loja - aberta exclusivamente para o efeito, com horário reduzido das 12 às 16 horas. Os clientes ficam à porta, a higienização das mãos e materiais de trabalho são rigorosamente cumpridas na loja e pelos estafetas.

Embora as encomendas não tenham sofrido qualquer atrasado e o site esteja igualmente ativo, Luís confessa: "A loja vazia é muito triste. Nós gostamos mesmo de contactar com as pessoas, que são clientes e são amigos." A decisão de fechar portas não foi fácil, mas rapidamente se aperceberam que era "o melhor a fazer para a comunidade".

Arturas e Luís afirmam que apenas lhes resta agradecer à sua "comunidade", essencial tanto agora como no início de tudo. Luís garante que o sucesso da loja muito deve ao gosto dos clientes por revistas cuidadas e especializadas e são por vezes estes que os alertam para novidades no mercado.

O sentimento de proximidade para com os clientes permanece. "Não teria sido possível se não tivessem compreendido o que estávamos a fazer. Continuam a entender e a desafiar-nos. Quando escolhemos as revistas, é neles que pensamos" conclui Luís.

Mais Notícias