Visita do primeiro-ministro indiano provoca protestos e mortes no Bangladesh

Pelo menos cinco pessoas foram mortas a tiro no Bangladesh em confrontos entre forças de segurança e manifestantes que participaram num protesto convocado por um grupo radical islâmico contra a visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

A violência, que eclodiu esta sexta-feira no exterior da mesquita principal de Daca, a capital do Bangladesh, espalhou-se por várias regiões deste país do Sul da Ásia de 168 milhões de habitantes, na sua maioria muçulmanos.

Depois de confrontos violentos que resultaram na morte de cinco pessoas na sexta-feira, outras cinco pessoas morreram neste sábado no distrito fronteiriço oriental de Brahmanbaria, em confrontos entre a polícia e apoiantes do maior grupo islamita radical do Bangladesh, Hefazat-e-Islam, segundo fontes hospitalares.

"Três já estavam mortos quando foram trazidos. Dois morreram no hospital. Todos eles tinham ferimentos de bala", informou Abdullah al-Mamun, médico do serviço de emergência do hospital público de Brahmanbaria, em declarações à agência France-Presse.

"Outras 12 pessoas foram trazidas para o hospital com ferimentos de bala e uma delas está em estado crítico. Foi atingida na cabeça", acrescentou o médico.

A polícia de Brahmanbaria recusou-se a comentar, mas dois elementos das forças de segurança indicaram que os radicais islâmicos organizaram protestos em vários locais do distrito no sábado.

Cerca de 3.000 manifestantes, incluindo apoiantes do Hefazat e aldeões muçulmanos, ter-se-ão manifestado no distrito. De acordo com um médico, os manifestantes atearam fogo a vários edifícios públicos.

Hathazari (uma pequena cidade rural), a cidade oriental de Chittagong, Habiganj (uma cidade no norte do país) ou Daca foram igualmente palco de protestos violentos convocados pelo Hefazat, que apelou à realização de uma greve geral este domingo.

Esta erupção da violência surge quando o Bangladesh celebra o 50.º aniversário da sua independência e o Governo anuncia êxitos económicos do país - ensombrados por violações dos direitos, de acordo com a acusação de várias organizações não-governamentais.

"As cenas de violência a que assistimos fazem parte de um padrão de comportamento familiar e perturbador das autoridades do Bangladesh", afirmou a Amnistia Internacional, citada pela AFP.

A visita do primeiro-ministro nacionalista indiano, Narendra Modi, que chegou a Daca esta sexta-feira para assistir às comemorações do aniversário do país, tem merecido os protestos de manifestantes de um largo espetro político - incluindo estudantes e ativistas de esquerda - que o acusam de estimular o recrudescimento dos antagonismos entre comunidades religiosas na Índia.

Modi visitou este sábado dois importantes templos hindus no sul do Bangladesh.

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