Venezuela: Explosão num oleoduto a leste de Caracas faz três feridos

Explosão aconteceu durante a noite de terça-feira numa altura em que a escassez de combustível no país continua a ser alvo de contestação popular. O país tem tentado importar gasolina do Irão, mas as restrições impostas pelos Estados Unidos não têm facilitado as operações.

Três pessoas ficaram feridas na sequência de uma explosão ocorrida na madrugada de quarta-feira num oleoduto no Estado venezuelano de Anzoátegui, a leste de Caracas. Segundo as autoridades do país, o incidente terá sido provocado, por tentativas de perfuração para obtenção de gasolina.

A explosão, segundo informou a Proteção Civil (PC) venezuelana, teve lugar pelas 21h locais de terça-feira (1h de quarta-feira em Lisboa) no oleoduto de hidrocarbonetos de Naricual, usado pela empresa estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) para o transporte de gasolina.

"Foram registados três feridos. As comunidades mais próximas foram evacuadas por prevenção. Os organismos de segurança e profissionais especializados em produtos químicos da PDVSA estão no local", explicou a Proteção Civil em comunicado. Segundo a Proteção Civil venezuelana, funcionários do Ministério do Poder Popular para as Relações Interiores, Justiça e Paz, estão a investigar as causas da explosão.

Por outro lado, o governador do Estado venezuelano de Anzoátegui (localizado a cerca de 320 quilómetros a leste da capital venezuelana), Luís José Marcano, anunciou, através da rede social Twitter, que "a forte explosão na conduta de combustível" foi "presumivelmente o resultado de tentativas de perfuração".

Desde 2012 que a Venezuela regista crescentes dificuldades para abastecer de combustível o mercado interno, uma situação que os economistas atribuem a uma queda da produção e de operacionalidade. Em 2017, a produção venezuelana de gasolina rondava os 35% (450 mil barris diários). Em 2020, a produção caiu para entre 40 mil e 60 mil barris diários, originando uma forte escassez de gasolina.

A Venezuela tem tentado, em várias oportunidades, abastecer o mercado interno com gasolina importada, nomeadamente do Irão, uma situação que as autoridades locais dizem que se tornou cada vez mais difícil devido às sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos, país que chegou a confiscar vários barcos que viajavam de Teerão para Caracas.

Desde 2020 que a gasolina é vendida a preços internacionais na Venezuela, com alguns setores da economia a terem acesso a esse combustível a preços subsidiados e em dias marcados, consoante o último dígito da matrícula das viaturas e de acordo com um calendário de distribuição divulgado pela PDVSA. No entanto, são frequentes as queixas da população sobre a escassez de combustível.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG