Vacinas e Biden no Conselho Europeu

Encontro virtual conta no primeiro dia com o presidente dos EUA, que vai abordar as relações com China, Rússia e Turquia, e também a pandemia.

O presidente do Conselho Europeu Charles Michel anunciou que na reunião de hoje se vai discutir a Turquia e a Rússia, ao que o presidente dos Estados Unidos acrescentou a China. Três dossiês de política internacional na primeira reunião de Joe Biden com os parceiros europeus com o objetivo de "revitalizar" as relações transatlânticas, complementado na véspera com a visita do secretário de Estado Antony Blinken a Bruxelas.

A pandemia, e mais em concreto a campanha de vacinação, vai ser o assunto mais quente entre os 27 chefes de governo e de Estado europeus, num momento em que a Comissão Europeia propõe controlos mais apertados para a exportação de vacinas, suspendendo a exportação para os países que não cumpram os critérios da "reciprocidades e da proporcionalidade".

A braços com uma preocupante alta de transmissões de covid-19 em vários países, a par de uma taxa de vacinação lenta devido, em grande parte à anglo-sueca AstraZeneca, que apenas entregou 30% das doses contratadas, o executivo europeu queixa-se ainda de ter exportado mais de 10 milhões de doses para o Reino Unido. E na direção inversa, nada. "As estradas abertas devem funcionar nos dois sentidos", comentou a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen. Segundo os dados reunidos até à primeira quinzena de março pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, a UE distribuiu 64 milhões entre os seus cidadãos e exportou entretanto 43 milhões de doses.

Na quarta-feira foi revelado que militares italianos fizeram na semana passada uma revista a uma fábrica, nos arredores de Roma, onde estão 29 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca. A farmacêutica diz que 16 milhões de doses são para a Europa e o restantes para outros países no âmbito do programa Covax, da OMS.

O convidado da cimeira virtual Joe Biden tem 30 milhões de doses daquela vacina à espera de aprovação pelo regulador e também vai falar sobre os esforços no combate à pandemia, pelo que é possível a cedência de parte das doses.

Não aos ultimatos

Na véspera, o secretário de Estado norte-americano colocou a tónica nalguns dos temas que o presidente vai abordar. Na sede da NATO, Antony Blinken mostrou-se compreensivo para com os países que não atingiram a meta de 2% do PIB em defesa, ao dizer que "nenhum número isolado" reflete a contribuição para a segurança coletiva. Sobre a China, numa mudança em relação à administração Trump, disse que "não forçarão os aliados a uma escolha "nós ou eles"", até porque interessa trabalhar "no que for possível" com Pequim. "Confiamos na inovação, não em ultimatos."

Não nomeou a Turquia, mas foi claro ao dizer que há um dever de se manifestar "quando os países tomam medidas que comprometem a democracia e os direitos humanos". Numa reunião com o homólogo turco, Mevlut Cavusoglu, Blinken voltou a pressionar Ancara para que desista do sistema russo de defesa aérea e que volte atrás na decisão de se retirar da Convenção de Istambul, um tratado de defesa das mulheres.

Durante o Conselho Europeu, os líderes devem afinar uma estratégia conjunta, depois de na semana anterior Michel e von der Leyen terem falado com Recep Erdogan, com o objetivo de baixar as tensões. Na altura, quadros da UE explicaram que as relações com Ancara "vão para lá dos interesses europeus e dos interesses turcos", ou seja, dependem do posicionamento de Biden.

Sobre a Rússia, Charles Michel propôs aos europeus fazer um ponto da situação na sequência da conversa que manteve com Vladimir Putin e aprofundar o tema na próxima reunião presencial.

cesar.avo@dn.pt

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