Exclusivo Uma década na ida e volta da esperança ao caos na Líbia

Bombardeamentos de aviões franceses deram o início ao fim do regime de Kadhafi, mas também a anos de guerra. Novo governo de unidade nacional pode virar a página.

Como peças de dominó, os autocratas do norte de África caíam: primeiro o tunisino Ben Ali, depois o egípcio Hosni Mubarak. Manifestações um pouco por todo o mundo árabe exigiam reformas, mudança, liberdades. Na Líbia, os protestos começaram em Benghazi, no leste do país, em meados de fevereiro de 2011. As forças leais a Muammar Kadhafi reprimiram os manifestantes um pouco à imagem do sucedido na Síria de Bashar al-Assad. Com a rápida passagem da revolta para um movimento armado, o ditador autorizou bombardeamentos contra a própria população, "ratazanas viciadas em comprimidos". Pouco antes de o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter imposto uma zona de exclusão aérea e autorizado uma intervenção para proteger os civis, o coronel prometeu encontrar os opositores "dentro dos armários" e agir sem "misericórdia nem piedade".

No dia seguinte, 19 de março, caças franceses destroem tanques que se dirigem para Benghazi, dando início a uma operação militar da NATO que irá virar o jogo, mas também mergulhar o país numa década de conflito - em dois capítulos - que provocou dezenas de milhares de mortos e o maior paiol do mundo: uma estimativa de um perito da ONU apontava, em 2020, para 150 mil e 200 mil toneladas de munições não controladas em todo o país.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG