TC anula congresso da UNITA no dia em que oposição se uniu

Adalberto Costa Júnior, cuja liderança fica posta em causa, diz estar preparado para "interferências".

Adalberto Costa Júnior foi ontem escolhido para liderar a plataforma eleitoral da Frente Patriótica Unida, que congrega três movimentos políticos da oposição angolana e quer derrotar o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) que governa desde a independência, em 1975. Contudo, no mesmo dia, o líder da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) viu o Tribunal Constitucional (TC) anular o congresso de 15 de novembro de 2019, no qual se tornou no terceiro presidente do partido.

"O nosso TC tem sido um instrumento partidário. Se chegar [a anulação do congresso], posso dizer que há muito que estamos preparados para as interferências e temos garantia de continuidade", disse aos jornalistas depois de ter sido conhecida a notícia, avançada pela TV Zimbo que citou fonte próxima do tribunal. No site oficial não havia ontem qualquer informação neste sentido.

O TC foi chamado a pronunciar-se por alegados militantes da UNITA, que pediam a destituição de Adalberto da Costa Júnior devido a supostas irregularidades no 13.º congresso, designadamente o facto de ter concorrido sem renunciar à nacionalidade portuguesa. O partido argumenta contudo que isso não é verdade, dizendo que ele renunciou à nacionalidade portuguesa a 11 de outubro de 2019, tendo a data de apuração das candidaturas sido a 21 de outubro.

A decisão do TC foi tomada no dia em que foi oficializada a Frente Patriótica Unida, que reúne a UNITA de Adalberto Costa Júnior (escolhido para liderar a plataforma eleitoral), o Bloco Democrático presidido por Filomeno Vieira Lopes, e o PRA JÁ Servir Angola, de Abel Chivukuvuku (ex-dirigente da UNITA).

Segundo o acordo, os partidos políticos e organizações que vão concorrer às eleições gerais do próximo ano mantêm a sua identidade própria, A plataforma regerá a sua conduta política na base dos acordos fundacionais de incidência parlamentar, de programa de governo e pacto para reforma do Estado.

Costa Júnior defendeu ontem que a Frente Patriótica Unida é um "verdadeiro e sério projeto de alternância politica" e que pode chegar a bom termo. Sublinhou também que o movimento "não é fechado" e não está resumido apenas às forças que o integram, não excluindo a hipótese de integrar na frente "gente do MPLA que muito" os "tem procurado".

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