Talibãs destruíram sede do Estado Islâmico após ataque a uma mesquita

Testemunhas ouviram explosões e tiros na capital no momento da operação e imagens publicadas nas redes sociais mostraram uma grande explosão e um incêndio no local.

Os talibãs afirmaram esta segunda-feira que foram responsáveis pela destruição de uma da sedes do Estado Islâmico em Cabul, capital do Afeganistão, horas depois que um suposto ataque do deste grupo terrorista a uma mesquita matou cinco pessoas.

Os talibãs invadiram a capital do Afeganistão há sete semanas e estabeleceu um governo afegão interino, que ainda enfrenta ataques regionais por parte do grupo terrorista Estado Islâmico. O principal porta-voz dos Talibãs, Zabihullah Mujahid, disse que soldados realizaram uma operação no norte de Cabul na noite de domingo.

"Como resultado da operação, que foi muito decisiva e bem-sucedida, o centro do Daesh foi completamente destruído e todos os membros foram mortos", publicou Mujahid na rede social Twitter. Testemunhas ouviram explosões e tiros na capital no momento da operação e imagens publicadas nas redes sociais mostraram uma grande explosão e um incêndio no local.

Abdul Rahaman, residente de Cabul e funcionário do governo, revelou à AFP que um "grande número" de forças especiais dos talibãs atacou pelo menos três casas no seu bairro. "A luta continuou por várias horas", disse, acrescentando que o som das armas o manteve acordado a noite toda. "Estavam atrás de soldados do Daesh (IS) na área", disse Rahman. "Não sei quantas pessoas foram mortas ou presas, mas a luta foi intensa."

"A operação ocorreu poucas horas depois de um ataque mortal numa cerimónia de oração na mesquita de Eid Gah em memória da mãe do porta-voz dos talibã, Mujahid, que morreu na semana passada. Um oficial da comissão cultural do governo, que pediu para não ser identificado, disse à AFP que cinco pessoas morreram e 11 ficaram feridas, acrescentando que entre as vítimas estavam civis e membros dos talibãs "Também prendemos três pessoas ligadas à explosão", disse o porta-voz do grupo terrorista.

De acordo com o oficial, o dispositivo foi colocado na entrada da mesquita e detonado durante a saída das pessoas que tinham dado as suas condolências a Mujahid e à sua família. Uma testemunha na mesquita, que pediu para não ser identificada, disse à AFP que o ataque de domingo foi executado por um único homem-bomba. Do lado de fora do portão leste, uma mancha escura era visível no chão onde a explosão ocorreu e buracos de bala podiam ser vistos numa parede. A testemunha disse que um grupo de membros dos talibãs, incluindo figuras importantes que estavam dentro da mesquita, foram alvejados após a explosão, causando duas baixas.

O oficial acrescentou ainda que duas unidades dos talibãs abriram fogo entre si por engano por causa da confusão que surgiu após a explosão, mas o porta-voz do Ministério do Interior, Qari Sayed Khosti, negou que tenha havido qualquer tiroteio. "Um homem-bomba detonou os explosivos no meio da multidão, matando três pessoas e ferindo uma dúzia delas", ​​disse. Vestígios de sangue na mesquita e duas piscinas vermelhas em que os soldados feridos foram tratados foram testemunhados pelos repórteres da AFP esta segunda-feira.

Na segunda-feira, Mujahid disse à AFP que está em andamento uma investigação, mas "as informações iniciais sugerem que grupos ligados ao Daesh podem ter realizado o ataque". Os talibãs e o Estado Islâmico - Província de Khorasan, ou IS-K - são grupos militantes islâmicos sunitas de linha dura que diferem nas questões de religião e estratégia, o que levou a uma luta sangrenta entre os dois.

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