Avanço da lava de vulcão em La Palma obriga à retirada de até 300 habitantes

No total, a erupção do Cumbre Vieja, que começou em 19 de setembro, já provocou a retirada de cerca de 7000 pessoas das suas habitações.

As autoridades das Canárias decidiram esta quinta-feira retirar entre 250 e 300 novos habitantes das suas casas na ilha de La Palma, devido ao esperado avanço do fluxo de lava do vulcão Cumbre Vieja.

Fontes do governo regional do arquipélago das Canárias disseram à agência Efe que a área afetada vai ao longo da estrada entre as povoações de La Laguna e Tazacorte e é contígua ao limite do perímetro já anteriormente evacuado.

Os afetados terão até às 17:00 (mesma hora em Lisboa) para desocupar as suas casas, com os seus pertences e animais de estimação, e ir para o ponto de encontro definido, localizado na localidade de Los Llanos.

As pessoas que não puderem recolher os seus pertences serão autorizadas a fazê-lo nos dias seguintes, de forma gradual e acompanhadas, desde que as condições de segurança o permitam.

Na quarta-feira à noite teve lugar outra evacuação, que afetou cerca de quinze residentes.

Anteriormente, o avanço do novo deslizamento de terras que se formou nos últimos dias a norte da estrada principal forçou a retirada de outros 800 residentes do bairro de La Laguna.

No total, a erupção do Cumbre Vieja, que começou em 19 de setembro, já provocou a retirada de cerca de 7000 pessoas das suas habitações, algumas das quais perderam tudo o que tinham à passagem da corrente de lava.

Foram registados, no total, 60 sismos na ilha de La Palma (Canárias) desde as 00:00 desta quinta-feira, um deles de 4,5 graus, o maior sentido até agora desde que a erupção do vulcão começou, há 26 dias.

Segundo o Instituto Geográfico Nacional espanhol (IGN), a atividade sísmica aumentou nas últimas horas em La Palma, depois de na quarta-feira ter diminuído ligeiramente.

Três dos 60 terramotos registados foram sentidos pela população, tendo o de maior magnitude ocorrido às 02:27 (a mesma hora em Lisboa), em Mazo, com uma magnitude de 4,5 na Escala de Richter, a uma profundidade de 37 quilómetros, após outro de 4,1 graus, também nesta cidade, três segundos antes do anterior e à mesma profundidade.

O terceiro mais forte foi sentido em Fuencaliente, com uma magnitude de grau 3,6, a uma profundidade de 10 quilómetros às 05:30 de hoje.

Os indicadores monitorizados por cientistas no vulcão de La Palma, especialmente as emissões de dióxido de enxofre, sugerem que o fim da erupção não vai acontecer a curto ou médio prazo, segundo a porta-voz do comité científico do Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias (Pevolca).

Segundo as medições do sistema de satélites europeu Copernicus, a lava ocupa 680,4 hectares e já destruiu 1548 edifícios.

Uma nuvem de dióxido de enxofre emitido pela erupção do vulcão Cumbre Vieja atingiu a Península Ibérica e deverá estar na atmosfera até sexta-feira, informou na quarta-feira o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Usando previsões do modelo do Serviço de Monitorização Atmosférica do programa de observação por satélite europeu Copernicus, a "intrusão de dióxido de enxofre" está acima dos 3000 metros de altitude, "não afetando por isso as concentrações deste gás à superfície".

A ilha de La Palma, que tem cerca de 85.000 habitantes, vive atualmente a terceira erupção vulcânica num século, após a do vulcão San Juan em 1949 e a do Teneguía em 1971.

Notícia atualizada às 12:54

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