Biden confirmado. Trump garante "transição ordeira" do poder após 4 mortes

Após a invasão do Capitólio por apoiantes de Donald Trump, os trabalhos foram retomados. O Congresso confirmou os votos do Colégio Eleitoral e validou a vitória de Biden nas eleições de 3 de novembro. O democrata vai tomar posse a 20 de janeiro.

O Congresso confirma os votos do Colégio Eleitoral e ratifica a vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas de 3 de novembro.

"Joe Biden e Kamala Harris vão ser o presidente e o vice-presidente de acordo com os certificados que nos foram dados", anuncia a senadora Amy Klobuchar. Ouviram-se aplausos na sala.

O ainda vice-presidente, Mike Pence, que liderou os trabalhos no Congresso, confirmou Biden como o 46º Presidente dos EUA. O democrata "recebeu 306 votos" e Trump "232 votos", detalhou o republicano.

Donald Trump não concorda com a derrota eleitoral, mas aceita-a e promete uma "transição ordeira" do poder.

Com a conta de Twitter do presidente cessante bloqueada, foi um assessor que recorreu à rede social para divulgar o comunicado de Trump.

"Embora discorde totalmente do resultado da eleição e os fatos dizem-no, haverá uma transição ordeira a 20 de janeiro", lê-se na nota, publicada no Twitter de Dan Scavino.

Apesar da ratificação do Congresso, Trump não desiste. Afirma que este processo representa "o fim do maior primeiro mandato da história presidencial" no país. "É apenas o começo da nossa luta para tornar a América grande novamente!".

Pouco antes da votação do Congresso (Senado e Câmara dos Representantes), tinha sido dado mais um passo para a certificação da vitória de Joe Biden. A Câmara dos Representantes tinha votado contra a objeção dos votos da Pensilvânia, por 282-138.

O Senado já tinha rejeitado a objeção aos resultados da Pensilvânia (por 92-7) e faltava apenas a votação conjunta - Senado e Câmara dos Representantes - para ratificar a vitória de Biden na eleição de 3 de novembro.

Antes, o Senado rejeitou com uma maioria esmagadora a objeção de alguns senadores republicanos à vitória do Presidente eleito, Joe Biden, no estado do Arizona.

A objeção aos resultados no Arizona - liderada pelos senadores Paul Gosar e Ted Cruz - foi rejeitada por 93-6 na noite de quarta-feira.

Todos os votos a favor foram republicanos, mas depois da violenta manifestação, do cerco e da invasão do Capitólio, vários senadores do Partido Republicano que planeavam apoiar a objeção inverteram o sentido de voto.

Os republicanos levantaram a objeção com base em falsas alegações do Presidente cessante, Donald Trump, repetidamente rejeitadas nos tribunais e pelos funcionários eleitorais.

Pouco depois, a Câmara dos Representantes chumbou igualmente a objeção à vitória do Presidente eleito no Arizona, juntando-se ao Senado na defesa dos resultados das eleições realizadas naquele estado.

Apenas os republicanos votaram a favor da objeção, mas perderam (303-121).

Antes, a líder da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, defendeu que a certificação do Congresso da vitória eleitoral de Joe Biden iria mostrar ao mundo a verdadeira face do país.

"Apesar das ações vergonhosas de hoje, ainda a faremos [a votação], faremos parte de uma história que mostra ao mundo daquilo que a América é feita".

Pelosi, católica romana, observou que na quarta-feira é a festa da Epifania e rezou para que a violência fosse "uma epifania para curar" o país.

Invasão do Capitólio. "Ataque sem precedentes à democracia", diz Biden

As reações ao ataque no Capitólio foram quase imediatas. O ex-Presidente dos Estados Unidos Barack Obama considerou que os episódios de violência eram "uma vergonha", mas não "uma surpresa", dado a atitude de Donald Trump e dos republicanos.

O antigo Presidente norte-americano Bill Clinton também denunciou um "ataque sem precedentes" contra as instituições do país "alimentado por mais de quatro anos de política envenenada".

O Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que os violentos protestos ocorridos no Capitólio foram "um ataque sem precedentes à democracia" do país e instou Donald Trump a pôr fim à violência.

Pouco depois, Trump pediu aos seus apoiantes e manifestantes que invadiram o Capitólio para irem "para casa pacificamente", mas repetindo a mensagem de que as eleições presidenciais foram fraudulentas.

O governo português condenou os incidentes, à semelhança da Comissão Europeia, do secretário-geral da NATO e dos governos de vários outros países.

Apoiantes do Presidente cessante dos EUA, Donald Trump, entraram em confronto com as autoridades e invadiram o Capitólio, em Washington, na quarta-feira, enquanto os membros do Congresso estavam reunidos para formalizar a vitória do Presidente eleito, Joe Biden, nas eleições de novembro.

A sessão de ratificação dos votos das eleições presidenciais dos EUA foi interrompida devido aos distúrbios provocados pelos manifestantes pró-Trump no Capitólio, e as autoridades de Washington D.C. decretaram o recolher obrigatório entre as 18:00 e as 06:00 locais (entre as 23:00 e as 11:00 em Lisboa).

O debate no Senado foi retomado pelas 20:00 (01:00 de hoje em Lisboa).

Pelo menos quatro pessoas morreram

A polícia recorreu a armas de fogo para proteger congressistas. Uma mulher morreu no interior do Capitólio depois de ter sido baleada, segundo fontes citadas pela agência de notícias Associated Press. A polícia está a investigar o incidente, mas não adiantou as circunstâncias do disparo.

As autoridades indicaram depois que mais três pessoas morreram no hospital. A polícia também deu conta de que tanto as forças de segurança, como os apoiantes de Trump utilizaram substâncias químicas durante as horas de ocupação do edifício do Capitólio.

As autoridades acrescentaram que pelo menos 14 polícias ficaram feridos, dois deles em estado grave, tendo sido efetuadas mais de meia centena de detenções, sendo que cerca de 30 aconteceram por violação do recolher obrigatório.

Quatro horas após o início dos incidentes, as autoridades declararam que o edifício do Capitólio estava em segurança.

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