Sarkozy condenado por corrupção ativa e tráfico de influências

Foi condenado a três anos de prisão, com dois de pena suspensa. Ex-presidente francês vai recorrer, anunciou advogada

O antigo presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi considerado esta segunda-feira culpado dos crimes de corrupção ativa a um juiz e de tráfico de influências. Foi condenado a três anos de prisão, com dois de pena suspensa.

O tribunal de Paris considerou que houve um "pacto de corrupção" entre o antigo presidente francês, de 66 anos, o seu advogado Thierry Herzog e o ex-magistrado Gilbert Azibert, condenados à mesma sentença, refere a agência de notícias AFP.

Sarkozy foi apanhado numa escuta telefónica a prometer a um juiz um lugar no Mónaco em troca de informações privilegiadas sobre uma investigação na qual era visado.

O ex-presidente francês vai recorrer da sua condenação, anunciou a sua advogada Jacqueline Laffont. Após este "julgamento extremamente severo" e "totalmente infundado e injustificado", Nicolas Sarkozy "está calmo mas determinado em prosseguir a sua demonstração de inocência", assegurou Laffont.

O veredicto é mais uma reviravolta na carreira política de Sarkozy, 66 anos, presidente de França entre 2007 e 2012 e, ainda hoje, um dos preferidos à direita.

A condenação poderá limitar qualquer tentativa de regresso à política, uma ambição que Sarkozy tem negado, mas que tem sido promovida por muitos dos seus apoiantes, com vista às eleições presidenciais de 2022.

Apenas um outro presidente francês, Jacques Chirac, mentor político de Sarkozy,foi julgado depois de deixar o cargo, tendo sido dispensado de comparecer no julgamento por corrupção em 2011, devido ao seu débil estado de saúde. Foi condenado a dois anos de prisão com pena suspensa pela criação de empregos fantasma na cidade de Lisboa, destinados a financiar o seu partido quando foi presidente da câmara.

O veredicto conhecido esta segunda-feira está relacionado com um caso de corrupção, uma das quatro investigações ao antigo presidente francês, que se casou com a supermodelo Carla Bruni durante o seu mandato.

"Não cometi o menor ato de corrupção"

Em tribunal, Sarkozy afirmou que "nunca cometeu o menor ato de corrupção".

Os procuradores pediam uma pena de prisão de quatro anos, dois de pena efetiva, e pediam o mesmo para os outros arguidos, o advogado Thierry Herzog e o juiz Gilbert Azibert.

"Os eventos não teriam ocorrido se o antigo presidente, também advogado, tivesse mantido em mente a responsabilidade e os seus deveres no cargo", disse o procurador da acusação Jean-Luc Blachon em dezembro.

As acusações contra Sarkozy é um dos vários casos pendentes contra o antigo presidente, podendo chegar a um máximo de 10 anos de cadeia e uma multa até um milhão de euros.

Pagamentos ilícitos

Os procuradores sustentam que Sarkozy e Herzog tentaram subornar o juiz Azibert numa investigação sobre suspeitas de que o antigo líder teria recebido pagamentos ilícitos da herdeira da L'Oreal, Liliane Bettencourt, durante a campanha presidencial de 2007.

O caso baseia-se numa série de escutas entre Herzog e Sarkozy. Os procuradores acusam Sarkozy de "usar linhas telefónicas secretas" para tentar ocultar a sua tentativa de influenciar o tribunal. Celine Guillet disse ter sido estabelecido "com certeza" que o juiz transmitiu informação confidencial sobre o caso Bettencourt ao amigo Herzog.

No dia 17 de março está marcado um segundo tribunal sobre acusações de gastos fraudulentos e outros pagamentos ilegais durante a campanha de 2012, que perdeu.

Sarkozy também está a ser acusado de receber milhões de euros do ditador líbio Kadhafi, na primeira campanha presidencial.

Em janeiro, os procuradores franceses abriram um novo caso por alegado tráfico de influências de Sarkozy nas suas atividades de consultoria com a Rússia.

As suspeitas contra Sarkozy frustraram a sua intenção de voltar à presidência na corrida eleitoral de 2017, mas ele voltou no meio de uma onda de popularidade quando anunciou em 2018 que se retirava da política. Filas de fãs alinharam-se no último verão para que o antigo presidente assinasse o seu livro de memórias Le Temps des Tempetes (o tempo das tempestades, numa tradução literal), best seller durante semanas

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