Republicanos pouco recetivos a pedido de Biden para "repensar" defesa de Trump

Na sexta-feira, será a vez da Defesa de Trump esgrimir argumentos e, caso não sejam chamadas testemunhas a depor, a votação poderá ter lugar já este fim de semana.

Os senadores republicanos foram esta quinta-feira confrontados com violentas e inéditas imagens do assalto ao Capitólio norte-americano em janeiro, mas mostraram-se pouco atreitos a repensar a tendência de não considerar responsável pelo mesmo, e condenar, o ex-presidente Donald Trump.

Foi o presidente Joe Biden quem deixou o "palpite", horas antes da apresentação de argumentos da acusação no julgamento no Senado, que "algumas mentes podem repensar" a ilibação de Trump, depois de assistirem à apresentação pela equipa de acusação.

Na mesma câmara onde a 6 de janeiro se viveram cenas de terror entre os senadores, com apoiantes do ex-presidente a tentarem derrubar a porta, enquanto no Congresso era confirmada a vitória de Joe Biden, a acusação tentou estabelecer um nexo de causalidade entre os inéditos acontecimentos e o "incitamento" dos mesmos por Trump.

A equipa de nove procuradores democratas, membros da Câmara de Representantes, iniciou a apresentação de argumentos dizendo que Trump deve ser condenado por "incitação à insurreição", e mostrou imagens, algumas inéditas, da entrada violenta de uma multidão no Capitólio, a partir vidros e portas e gritando ameaças ao vice-presidente e à presidente da Câmara dos Representantes.

As imagens divulgadas pelos procuradores do Congresso, que estão a dirigir o julgamento de Trump, revelam o quão perto os amotinados estiveram dos líderes dos EUA, enchendo os corredores enquanto cantavam "enforquem Mike Pence".

Entre os primeiros a entrar no Capitólio estavam uniformizados com roupa de combate e membros de grupos extremistas.

Apresentadas como provas as centenas de mensagens de Trump na rede social Twitter

O vice-presidente Pence, que estava a presidir a sessão no Congresso para certificar a vitória eleitoral de Joe Biden sobre Trump, o que lhe valeu a censura deste, é mostrado a ser conduzido apressadamente para um local seguro com a sua família, a escassa distância dos invasores.

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, foi retirada do complexo, enquanto os seus colaboradores se escondiam atrás das portas.

Os agentes policiais, submersos pela multidão, gritavam de forma frenética "Perdemos a linha! Perdemos a linha" e aconselhavam-se a procurar segurança.

As imagens mostram um agente a ser esmagado pela multidão e os procuradores adiantaram que outro sofreu um ataque de coração. Um terceiro morreu mais tarde.

Os democratas da Câmara dos Representantes mostraram muitas provas oriundas do próprio Trump - centenas de mensagens da rede social Twitter e comentários -, que culminaram no seu apelo de 6 de janeiro, para a multidão ir para o Capitólio e "lutar como nunca" para inverter a sua derrota.

"Houve método na loucura deste dia"

Depois, Trump não fez o que quer que fosse para interromper a violência e assistiu com "alegria" ao ataque da multidão ao edifício, adiantaram. Cinco pessoas morreram.

"Para nós, isto parece caos e loucura, mas houve método na loucura deste dia", afirmou o representante Jamie Raskin, democrata eleito pelo Estado do Maryland, que acusou Trump de ser o instigador dos atacantes.

Na sexta-feira, será a vez da Defesa de Trump esgrimir argumentos e, caso não sejam chamadas testemunhas a depor - como parece de momento provável - a votação poderá ter lugar já este fim de semana.

Seis senadores republicanos votaram ao lado dos democratas no início do julgamento

Na votação inicial sobre a constitucionalidade do julgamento, terça-feira, os senadores republicanos cerraram fileiras, tendo apenas 6 (de 50) votado ao lado dos democratas, com 56 votos e 44 contra o arranque do julgamento.

Entre os votos a favor, o único inesperado foi o do senador republicano do Louisiana, Bill Cassidy, que antes se havia declarado contrário ao processo, mas que mudou de posição depois da exposição dos argumentos sobre a constitucionalidade do processo.

Já esperados eram os votos contra dos senadores Susan Collins (Estado do Maine), Lisa Murkowski (Alaska), Mitt Romney (Utah), Ben Sasse (Nebraska) and Pat Toomey (Pensilvânia).

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell votou contra a continuação do processo, como esperado.

A Constituição determina que o `impeachment´ do ex-presidente - que implicaria a impossibilidade de voltar a candidatar-se à Presidência no futuro, algo que tem admitido fazer - tem de ser aprovado por pelo menos dois terços dos 100 senadores, ou seja se aos 50 democratas se somarem 17 republicanos, mas destes poucos se mostram favoráveis à condenação do ex-presidente.

Acusação recorreu a vídeos de apoiantes de Trump

Trump é o primeiro Presidente a ser sujeito a um processo de 'impeachment' por duas vezes no mesmo mandato e o único a ser julgado politicamente depois de já ter abandonado o cargo.

Nesta quinta-feira, a acusação recorreu também a vídeos de apoiantes de Trump no exterior do Capitólio a 6 de janeiro: um dizia ter sido "convidado" ao protesto, outro ter sido "mandado" pelo ex-presidente e outro ainda que este ficaria "contente" por os invasores "lutarem por ele".

No final, o advogado de Trump, David Schoen, considerou "insultuosa" a apresentação democrata, defendendo que não ficou estabelecida uma ligação ao ex-presidente e que o único efeito das imagens é "dividir o povo americano".

Concluído o segundo dia de argumentos, segundo a AP, os senadores pareciam cansados e incomodados, com alguns a sair do hemiciclo para descontrair.

Um deles, o republicano James Inhofe (Estado do Oklahoma) afirmou que acusação "quanto mais fala, mais perde a credibilidade".

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