Reino Unido tenta nova abordagem no combate ao vírus: misturar diferentes vacinas

A experiência de misturar diferentes vacinas vai contar com 800 voluntários em Inglaterra, todos com mais de 50 anos. Uns vão receber o fármaco desenvolvido pela Oxford/AstraZeneca seguido pela fórmula da Pfizer/BioNTech ou vice-versa, com um intervalo de quatro a 12 semanas entre as tomas.

O Reino Unido vai testar uma nova abordagem no combate ao novo coronavírus ao fazer uma experiência imunizando um grupo de pessoas com diferentes vacinas contra a covid-19 na primeira e na segunda doses. O objetivo é tentar perceber se este método tem a mesma eficácia como usando o mesmo tipo de fármaco em ambas as tomas.

A experiência de misturar diferentes vacinas na imunização de um cidadão vai contar com 800 voluntários em Inglaterra, todos com mais de 50 anos. Uns vão receber o fármaco desenvolvido pela Oxford/AstraZeneca seguido pela fórmula da Pfizer/BioNTech ou vice-versa, com um intervalo de quatro a 12 semanas entre as tomas, indica a BBC. O governo britânico disponibilizou sete milhões de libras para esta investigação.

Além de tentar apurar a eficácia no combate à infeção pelo SARS-CoV-2, o objetivo dos testes passa também por ter mais flexibilidade na vacinação e colmatar potenciais falhas no fornecimento de vacinas.

Com esta nova possibilidade, usando dois tipos de vacinas distintos na imunização numa pessoa, os cientistas pretendem saber se este processo pode oferecer uma ainda maior proteção aos cidadãos.

Estudo "extremamente entusiasmante"

Um "estudo extremamente entusiasmante". É desta forma que Matthew Snape, professor da Universidade de Oxford caracteriza este projeto de investigação, que pode mudar a forma como é feita a campanha de vacinação no Reino Unido e nos restantes países do mundo.

Este especialista explica que estudos em animais mostraram "uma melhor resposta de anticorpos com um esquema misto em vez do esquema direto" de doses de vacina.

Matthew Snape afirma que "será realmente interessante ver se os diferentes métodos" de imunização "podem melhorar uma resposta imunológica" nos seres humanos "ou pelo menos uma resposta que é tão boa quanto dar o esquema direto das mesmas doses".

Esta experiência vai tentar fornecer mais informação sobre o impacto das vacinas nas novas variantes do SARS-CoV-2 e qual é o efeito das segundas doses, sendo que haverá um intervalo entre tomas de quatro e 12 semanas. Os cientistas esperam ter resultados dos testes no final de junho.

Os testes não mudam, para já, o plano de vacinação que está em curso no Reino Unido, faz saber a emissora britânica.

Como em Portugal, no Reino Unido, quem toma uma primeira dose de uma vacina Pfizer/BioNTech toma uma segunda dose da mesma vacina. É esta a orientação oficial das autoridades de saúde que vigora. Os britânicos estão já a usar também a fórmula criada pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford - aprovada já pela Agência Europeia do Medicamento e cujas primeiras doses estão previstas chegar a Portugal a 9 de fevereiro.

Denominado de Com-Cov e desenvolvido pelo National Imunization Schedule Evaluation Consortium, o estudo pode abranger outras vacinas à medida que vão sendo aprovadas pelas entidades reguladoras do medicamento.

Ao longo desta investigação, é feita uma monitorização apertada dos possíveis efeitos secundários e análises aos voluntários vão ser realizadas ao longo desta experiência para verificar como o sistema imunológico responde a esta nova abordagem.

Não é esperada uma divulgação dos resultados até ao verão, referiu o responsável britânico pela vacinação, sublinhando o facto de que esta experiência não vai introduzir alterações ao processo de vacinação, a decorrer desde o final do ano passado.

Ao programa BBC Breakfast, o secretário de Estado encarregado da campanha de vacinação, Nadhim Zahawi, explicou ainda que misturar vacinas não é algo novo. Já foi feito no combate à hepatite, poliomielite, sarampo, papeira e rubéola.

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