Regime de Maduro e oposição em diálogo no México

Líder bolivariano quer o fim das sanções e os partidos adversários lutam pela libertação dos presos políticos e por garantias democráticas no processo eleitoral.

A presença do presidente do Parlamento Jorge Rodríguez e de Nicolás Ernesto Maduro, filho do presidente do regime bolivariano, nas conversações com a oposição iniciadas ontem, e que se prolongam até segunda-feira, no México, mostram o interesse e a expectativa na iniciativa num país há muito mergulhado numa crise, a qual foi aprofundada com as sanções económicas impostas em 2019 pelos Estados Unidos e pela pandemia.

Mediado pela Noruega como já acontecera antes sem resultados práticos em 2019, o encontro acontece em resposta ao pedido de negociações por parte de Juan Guaidó, o homem reconhecido como presidente interino do país pelos EUA, mas não mais pela União Europeia desde o momento em que a nova assembleia nacional iniciou a legislatura.

Em conferência de imprensa, Henrique Capriles, adversário nas urnas de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, defendeu que é hora de a oposição se unir e fazer parte das eleições locais e regionais, marcadas para novembro, tendo explicado que o contexto mudou com um novo órgão de supervisão eleitoral que inclui dirigentes não chavistas. Guaidó, que apelara ao boicote nas duas eleições anteriores, disse que ainda não há condições para votar.

A este encontro prévio, que reúne do lado da oposição Stalin González, ex-próximo de Guaidó, e Tomás Guanipa, até esta semana representante de Guaidó na Colômbia, seguir-se-á a reunião oficial, a ter lugar no dia 30. Por parte dos opositores os objetivos passam pela libertação de presos políticos, como Freddy Guevara, preso há um mês sob acusações de terrorismo, e um calendário eleitoral que inclua eleições presidenciais, além de garantias de que o processo eleitoral seja justo e livre.

Segundo Maduro, da agenda de sete pontos pontifica a exigência do levantamento de sanções, sendo a mais danosa de todas o embargo ao petróleo por parte dos EUA. Mas depois de o porta-voz do Departamento de Estado ter apelado para "negociações sinceras" como ponto de partida para o alívio das sanções, o líder venezuelano voltou à carga e disse que o seu governo não se submete "nem a chantagem nem a ameaças".

Caracas também não deixou sem resposta o seu vizinho colombiano. O presidente Iván Duque regozijou-se com a notícia de que a procuradora cessante do Tribunal Penal Internacional viu indícios de que as autoridades cometeram crimes contra a humanidade desde 2017. "O hábito dos neonazis do século XXI como o subpresidente Iván Duque é (além de levar a cabo assassínios em série e traficar drogas) mentir", disse o procurador-geral Tarek Saab, que sublinhou não haver qualquer processo a decorrer contra a Venezuela. Qualquer decisão nesse sentido será tomada pelo novo procurador do TPI, Karim Khan.

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