Quinze detidos após noite de violência contra prisão de rapper Hasél

Músico foi condenado a nove meses de prisão por glorificação do terrorismo e injúrias à monarquia. Pelo menos 33 pessoas, incluindo 19 polícias, ficaram feridas sem gravidade.

Quinze pessoas foram detidas e mais de 30 ficaram feridas na terça-feira à noite durante protestos violentos e confrontos com a polícia na Catalunha, após a prisão do rapper Pablo Hasél. Este foi condenado a nove meses de prisão por glorificação do terrorismo e injúrias à monarquia.

"Resistência", "Pablo, companheiro, estamos ao teu lado" e "Liberdade Pablo Hasél", foram algumas das palavras mais ouvidas durante as manifestações, convocadas em protesto contra a detenção na terça-feira de manhã em Lérida. O rapper e alguns apoiantes tinham-se barricado na universidade local para chamar a atenção de uma condenação que considera um ataque muito grave à liberdade de expressão.

Em Lérida, cerca de duas mil pessoas, de acordo com a organização e 1400 segundo as autoridades, iniciaram o protesto na praça da catedral, onde foi lido um manifesto. Os manifestantes dirigiram-se depois até à sede do PSC (Partido dos Socialistas Catalães) onde foram lançados ovos e outros objetos contra a fachada do edifício. Mais à frente, na Praça Sant Joan, foi atirada tinta para a fachada da sede do PP (Partido Popular).

Depois, várias centenas de manifestantes caminharam até à subdelegação do governo, onde se viveram os momentos de maior tensão, com contentores do lixo deitados ao chão, alguns deles incendiados, e o arremesso de petardos contra alguns veículos dos Mossos D'Esquadra.

Em Girona, os manifestantes, que eram cerca de cinco mil, de acordo com as autoridades, reuniram-se na Praça 1 de Outubro e percorreram várias ruas até à delegação da Generalitat e, depois, até aos tribunais. Aí, foram arremessados os primeiros objetos e artefactos pirotécnicos contra os agentes da polícia.

No final do protesto, um grupo de manifestantes chegou à subdelegação do Governo, onde se iniciaram motins com o lançamento de objetos contra a polícia e onde foi criada uma barreira de contentores.

Em Barcelona, os incidentes ocorreram quando os manifestantes se dirigiram à esquadra do Corpo Nacional de Polícia, onde os Mossos d'Esquadra atiraram balas de borracha a alguns manifestantes que lançavam petardos, pedras e garrafas contra o cordão de agentes, e que tinham montado barricadas com contentores e outros elementos de mobiliário urbano aos quais atearam fogo.

Os manifestantes cortaram a Avenida Diagonal e montaram barricadas na praça da Catalunha e nos Jardins de Gracia, onde destruíram as montras de várias lojas e de agências bancárias. Além disso, a sucursal de um banco foi atacada e várias motas queimadas.

Em Vic, município 70 km ao norte de Barcelona, os manifestantes atacaram uma esquadra da polícia e feriram 11 agentes, segundo uma porta-voz da polícia catalã.

No total, 33 pessoas precisaram de atendimento médico, incluindo 19 polícias, mas todas com ferimentos ligeiros.

A prisão do rapper por uma série de mensagem no Twitter com ataques à monarquia e às forças de segurança gerou um forte debate sobre a liberdade de expressão em Espanha. Nas mensagens, o rapper atacou a monarquia e chamou, por exemplo, de "mercenários de merda" as forças policiais, acusando-as de torturar e assassinar manifestantes e imigrantes.

Condenado a nove meses de prisão pelas mensagens publicadas entre 2014 e 2016, Hasél tinha até sexta-feira para se entregar voluntariamente. Na segunda-feira, com os boatos de uma detenção iminente, barricou-se com dezenas de ativistas na Universidade de Lérida, de onde foi retirado na terça-feira, sem muita resistência.

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