Putin ordena revisão da lei das armas após tiroteio em escola causar nove mortes

O atirador, que foi detido, é um antigo aluno da escola, de 19 anos, que tinha licença de porte de arma há menos de um mês.

O presidente russo, Vladimir Putin, deu ordens para a revisão das regras sobre o porte de armas depois de um tiroteio numa escola de Kazan, na região da Tartária, ter terminado com nove mortos. O atirador, um antigo aluno de 19 anos, tinha licença de porte de armas há menos de um mês. O suspeito foi detido pela autoridades, que lançaram uma investigação por "assassinato" e descartaram tratar-se de um caso de "terrorismo".

De acordo com a imprensa local, o jovem tinha conseguido a licença de porte de arma a 28 de abril e no ataque usou uma caçadeira Hatsan, de fabrico turco. A mesma utilizada no massacre em outubro de 2017 numa escola em Kerch, na Crimeia (anexada pela Rússia em 2014), onde morreram 21 pessoas (incluindo o atirador).

"O presidente ordenou a elaboração de urgência de um novo quadro legal sobre o tipo de armas autorizados a circular entre a população civil", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, poucas horas depois do ataque.

O atirador chegou pelas 9.30 locais à escola n.º 175, que tem 1049 estudantes e 57 funcionários, no primeiro dia de aulas depois de uma pausa letiva de dez dias. Quando começou o tiroteio - testemunhas falam também em explosões - alguns alunos saltaram pelas janelas para escapar. Ainda se falou na existência de um segundo atirador, mas depois a informação foi corrigida, com as autoridades a dizerem que é o caso de um chamado "lobo solitário" (alguém que atua sozinho).

"Perdemos sete crianças, do oitavo ano, quatro rapazes e três raparigas", disse Rustam Minnikhanov, o presidente da região da Tartária, a república de maioria muçulmana que tem Kazan como capital. "Morreram no terceiro andar", referiu, sendo que as outras duas vítimas eram adultos.

As autoridades de saúde indicaram ainda que outras 20 pessoas, 18 crianças e dois adultos, com idades entre os 7 e os 62 anos, foram hospitalizadas. "Seis menores de idade encontram-se em estado grave e nos cuidados intensivos", disse o porta-voz do governo local, Lazat Jaydarov.

Os motivos do ataque ainda estão a ser investigados. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o suposto atirador, deitado numa cela, sem camisa e ensanguentado, a dizer que premeditou o ato porque "odeia todos". Alega ainda que é "como um deus". Identificado como Ilnaz Galiaviev pelos media, também aparece numa foto com uniforme paramilitar e uma corrente ao pescoço com a palavra "Deus" em russo, escrita em letras vermelhas.

Este tipo de ataques não é comum nas escolas russas. Em 2018, depois do caso na Crimeia, Putin atribuiu o massacre à "globalização", ao afirmar que o fenómeno dos tiroteios em escolas tem origem nos EUA. Mas as autoridades indicam já terem frustrado, nos últimos anos, dezenas de planos para atacar escolas que geralmente envolvem adolescentes. O pior massacre continua a ser o de Beslan, em 2004, no qual morreram mais de 300 pessoas. Foi perpetrado por terroristas chechenos.

susana.f.salvador@dn.pt

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