Principal opositora bielorrussa declara-se ao marido perante possível condenação

Serguei Tikhanóvskaya foi preso em maio de 2020, quando considerava uma potencial candidatura à presidência nas eleições de agosto

A líder da oposição na Bielorrúsia, Svetlana Tikhanóvskaia, declarou-se ao marido, que se encontra preso e poderá ser condenado esta terça-feira a uma pena pesada, devido ao combate político contra o presidente Alexander Lukashenko.

"Gravo este vídeo antes da suposta condenação de Serguei. Estou a tentar visualizar a sentença e, psicologicamente, será difícil aceitá-la", disse Tikhanóvskaya, num vídeo postado na sua conta no Telegram.

"Vou continuar a defender o homem que amo e que se tornou um líder para milhões de bielorrussos", afirmou.

Tikhanóvskaia disse estar pronta "para o mais difícil, para o impossível", para acelerar o reencontro com o marido.

Serguei Tikhanóvskaya foi preso em maio de 2020, quando considerava uma potencial candidatura à presidência nas eleições de agosto.


A sua mulher substituiu-o neste percurso e conseguiu mobilizar, para surpresa geral, aglomerados de manifestantes nunca vistos contra o poder. Os protestos foram duramente reprimidos.

Serguei Tikhanóvskaya, de 43 anos, está a ser julgado desde junho juntamente com outros cinco réus, num processo que decorre à porta fechada. Se for considerado culpado, poderá ser condenado a até 15 anos de prisão.

Serguei Tikhanóvskaya ficou famoso, graças ao seu canal no YouTube, onde denunciava a corrupção de Lukashenko, a quem apelidou de "barata".

Além de Serguei, outra importante figura da oposição será julgado esta terça-feira: Mikola Statkevitch, de 65 anos, candidato à presidência em 2010 e que já passou vários anos na prisão por outra condenação.

Completam o banco dos réus Artiom Sakov e Dimitri Popov, que integravam a equipa de Serguei; Vladimir Tsyganovitch, um criador de conteúdos do YouTube e crítico do poder; e Igor Lossik, um jornalista opositor de 29 anos. Todos são acusados de terem organizado e participado em "distúrbios em massa".

A agora ex-professora de inglês Svetlana Tikhanóvskaya tornou-se a musa dos críticos do autoritário governo de Lukashenko, que a forçou ao exílio logo após as eleições presidenciais de 2020. Desde então, a opositora percorre o mundo, visitando chefes de Estado e de governo ocidentais, para aumentar a pressão sobre o presidente bielorrusso.

O Ocidente impôs sanções significativas a empresas bielorrussas e a funcionários do governo Lukashenko pela repressão nos protestos em 2020.

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