Primeira mulher a liderar governo sueco renuncia oito horas depois

Magdalena Andersson foi forçada a renunciar ao cargo após o fracasso do orçamento proposto e o abandono da coligação governativa por parte dos ecologistas.

Oito horas após a sua eleição pelo Parlamento, a nova primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, foi forçada a renunciar ao cargo após o fracasso do orçamento proposto e o abandono da coligação governativa por parte dos ecologistas.

"Há uma prática constitucional segundo a qual um governo de coligação renuncia quando um partido abandona o acordo governativo. Não quero liderar um governo cuja legitimidade está em questão", declarou a líder social-democrata, acrescentando que espera ser reeleita em votação futura.

Andersson tinha-se tornado na primeira mulher eleita para o cargo de primeira-ministra da Suécia, depois de fechar um acordo de última hora com o Partido de Esquerda, na terça-feira, para aumentar as pensões mais baixas em troca do seu apoio na votação desta quarta-feira .

Contudo, o Partido do Centro retirou o apoio anunciado ao orçamento devido à estratégia de aproximação à esquerda por parte de Andersson. O Orçamento acabou por não reunir votos suficientes para ser aprovado.

Eleita de manhã a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra - por um voto, recebeu 174 votos contra e a Constituição estipula que um mínimo de 175 representantes não pode opor-se ao primeiro-ministro -, Andersson, de 54 anos, não pôde saborear a vitória porque à tarde foi retirado o tapete ao executivo.

A até agora ministra das Finanças viu depois o partido de extrema-direita Democratas Suecos apresentar em conjunto com os moderados e os democratas-cristãos um orçamento alternativo, aprovado com os votos do Partido do Centro com 154 votos a favor e 143 contra.

Andersson preparava-se para aceitar as condições impostas pelos deputados, mas foi a gota de água para os ambientalistas. Um dos líderes dos Verdes, Per Bolund, declarou que o partido não podia tolerar um "orçamento histórico" pelas piores razões, uma vez que pela primeira vez foi elaborado em colaboração com a extrema-direita. Além da posição de princípio deu como exemplo de medidas inaceitáveis a redução de impostos sobre os combustíveis, o que levaria a um aumento de consumo e a emissões mais elevadas, segundo Bolund. Este disse ainda "lamentar profundamente" a decisão e adiantou que irá apoiar Andersson num futuro voto parlamentar para a chefia do governo.

Com a saída de cena dos ambientalistas não restou outra opção a Andersson. "Uma coligação governamental deve dissolver-se se um partido escolhe sair do governo", disse em conferência de imprensa a sucessora de Stefan Lofven na liderança dos sociais-democratas e do governo.

Depois de uma inédita moção de censura que derrubou Lofven em junho, este acabou por ser reeleito em julho pelos deputados. Sem as posições de princípio dos verdes, poderá ser mais fácil Magdalena Andersson - que ganhou o cognome de Bulldozer devido ao estilo franco e direto - obter os votos necessários para, por fim, formar governo.

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