Polícia sob um coro de críticas após confrontos em vigília por Sarah Everard

Vídeos mostram agentes de polícia a agarrarem várias mulheres e a levarem-nas algemadas, sob gritos e protestos dos presentes. Governo pediu contas sobre o sucedido

A Polícia Metropolitana de Londres está sob um coro de críticas depois de se ter envolvido em confrontos com as pessoas que numa vigília em memória de Sarah Everard, uma mulher de 33 anos que desapareceu a 3 de março, quando regressava a casa a pé, tendo sido depois encontrada morta.

De acordo com a agência Associated Press, as centenas de pessoas que se juntaram em Clapham Common, perto do local onde Sarah Everard foi vista pela última vez com vida, desafiaram o pedido da polícia para que dispersassem.

Vídeos da vigília informal, que entretanto se transformou numa manifestação, mostram agentes da polícia a discutirem com manifestantes. Nos vídeos, relata a AP, é possível ver-se agentes de polícia do sexo masculino a agarrarem várias mulheres e a levarem-nas algemadas, sob gritos e protestos dos presentes.

O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, criticou a atuação da polícia, numa publicação partilhada na sua conta oficial no Twitter.

"A polícia tem a responsabilidade de fazer cumprir as leis da covid, mas de imagens que vi é claro que a resposta não foi nem apropriada nem proporcional", escreveu o autarca.

A ministra do Interior, Priti Patel, revelou, também no Twitter, que pediu um relatório completo à Polícia Metropolitana de Londres sobre os acontecimentos de sábado.

Também o líder do Labour, Keir Starmer, veio condenar a ação da polícia, criticando a forma como os agentes lidaram com o processo.

Sarah Everard, de 33 anos, tinha visitado amigos em Clapham, no sul de Londres, e estava a regressar a sua casa em Brixton, a cerca de 50 minutos a pé, quando desapareceu por volta das 21:30 do dia 03 de março.

A Polícia Metropolitana de Londres recebeu mais de 120 telefonemas de pessoas após um apelo público e foi a cerca de 750 casas na área, tendo na terça-feira detido um homem de 48 anos, agente policial membro da unidade responsável pela segurança de representações diplomáticas e políticos. Inicialmente suspeito de rapto, entretanto foi também acusado de homicídio, depois de, na quarta-feira, os restos mortais de Sarah terem sido encontrados num bosque perto da cidade de Ashford, no sudeste de Londres.

Após o desaparecimento e morte de Sarah Everard, várias mulheres têm usado as redes sociais para partilharem histórias sobre como foram ameaçadas ou atacadas nas ruas

Muitos dos que participaram na vigília deixaram flores no local, entre os quais a duquesa de Cambridge, Kate Middleton. Algumas pessoas seguravam cartazes onde se lia "Não seremos silenciadas" e "Ela estava apenas a regressar a casa", e os manifestantes gritaram "Irmãs unidas jamais serão vencidas".

Na quinta-feira, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse estar "chocado e profundamente triste com os desenvolvimentos da investigação de Sarah Everard".

Numa mensagem partilhada no Twitter, Boris Johnson afirmou: "Devemos trabalhar rapidamente para encontrar todas as respostas sobre este crime horrível".

De acordo com uma sondagem YouGov da ONU Mulheres do Reino Unido, 80% das mulheres de todas as idades disseram terem sido vítimas de assédio em locais públicos, com 97% das mulheres com idades entre os 18-24 confirmado que foram assediadas sexualmente.

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