Peixeira do mercado de Wuhan foi o primeiro caso conhecido de covid-19

Virologista consultou casos notificados em dois hospitais de Wuhan antes de o alerta de uma doença suspeita ter sido dado pelas autoridades sanitárias chinesas.

O primeiro caso conhecido de covid-19 é o de uma peixeira que trabalhava no mercado de animais de Wuhan que foi infetada a 11 de dezembro de 2019, segundo o virologista Michael Worobey num artigo publicado na revista Science.

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) atribua o primeiro caso a um homem de 41 anos que nunca havia estado no mercado e que se teria infetado três dias antes, o cientista sustenta a tese de que a vendedora de peixe terá sido a primeira a contrair o vírus. Afinal, esse homem terá ido ao hospital a 8 de dezembro com uma dor de dentes e não com os sintomas de covid-19 que só haveria de detetar a 16 de dezembro.

Estes dados, assim como a análise dos primeiros casos de covid-19 na cidade chinesa, claramente inclinam a balança para uma origem animal do vírus, indicou Worobey. Desde o início da pandemia, os especialistas debatem a origem do vírus perante ausência de evidências definitivas.

O próprio Worobey pertencia a um grupo de 15 especialistas que publicou um artigo na revista Science em meados de maio a pedir uma séria consideração pela hipótese de o vírus ter nascido num laboratório em Wuhan.

Agora, destacou o cientista, a sua investigação "fornece fortes evidências a favor da origem da pandemia a partir de um animal vivo" nesse mercado.

Worobey analisou os casos notificados nos dois hospitais antes de o alerta de uma doença suspeita ter sido dado pelas autoridades sanitárias chinesas. A esmagadora maioria desses casos estão intimamente relacionados ao mercado, e os que não estão localizam-se ao seu redor.

"Nesta cidade de 11 milhões de habitantes, metade dos primeiros casos está relacionada a um lugar do tamanho de um campo de futebol", ressaltou Worobey numa entrevista ao New York Times. "Fica muito difícil explicar essa tendência se a epidemia não tiver começado nesse mercado", acrescentou.

Questionado pelo New York Times, Peter Daszak, que estava entre os especialistas enviados pela OMS a Wuhan em janeiro de 2021, admitiu que "a data de 8 de dezembro foi um erro".

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