Parlamento espanhol rejeita criar comissão de inquérito a Juan Carlos

Exilado em Abu Dhabi desde agosto, o rei emérito de Espanha é suspeito de utilizar cartões de crédito ligados a contas bancárias que não estão em seu nome, entre outras questões que estão sem resposta sobre a sua alegada riqueza.

O parlamento espanhol recusou-se esta quarta-feira a abrir um inquérito parlamentar ao rei emérito Juan Carlos por alegada utilização de cartões de crédito suspeitos, uma matéria que divide a coligação governamental de esquerda.

Exilado em Abu Dhabi desde agosto, o rei emérito é suspeito de utilizar cartões de crédito ligados a contas bancárias que não estão em seu nome, entre outras questões que estão sem resposta sobre a sua alegada riqueza.

O pedido de um inquérito parlamentar foi rejeitado pela mesa do Congresso dos Deputados (câmara baixa do parlamento), o órgão executivo da instituição - que decide sobre as questões a debater -- e onde apenas o partido de extrema-esquerda Podemos, no Governo com o PSOE de Pedro Sánchez, votou a favor da medida.

Não é a primeira vez que um pedido de inquérito às atividades de Juan Carlos é recusado, mas pela primeira vez, o serviço jurídico do parlamento deu a sua aprovação a tal investigação.

Até agora, este serviço de apoio tinha-se oposto à investigação, em nome da imunidade daquele que foi chefe de Estado espanhol de 1975 a 2014.

"Pedido não era apropriado", diz ministra da Defesa

A ministra da Defesa socialista, Margarita Robles, congratulou-se com a recusa do Congresso dos Deputados em abrir um inquérito, afirmando que o pedido "não era apropriado".

Uma tal investigação "poderia pôr em causa as nossas instituições", explicou numa entrevista a uma rádio, acrescentando que, numa democracia sólida e séria, não é bom que as instituições sejam postas em causa".

No ano passado, vários outros pedidos de comissões de inquérito sobre a fortuna de Juan Carlos foram rejeitados, graças aos votos dos socialistas e da direita.

Alvo de mais duas investigações

Visto que os factos relacionados com a utilização destes cartões de crédito ocorreram depois da abdicação de Juan Carlos em 2014, eles podem ser investigados como alegado branqueamento de capitais.

O pai do atual rei Felipe VI pagou 680 000 euros ao fisco em dezembro último para evitar o início de uma investigação, mas o Ministério Público ainda não decidiu ainda se deve encerrar o processo.

Juan Carlos é alvo de duas outras investigações. Uma delas pretende determinar se recebeu uma comissão relacionada com a adjudicação a empresas espanholas de um contrato para a construção de um comboio de alta velocidade na Arábia Saudita em 2011.

A outra diz respeito ao alegado branqueamento de dinheiro ligado, segundo a imprensa espanhola, a uma estrutura obscura que faz a gestão de milhões de euros estabelecida na ilha britânica de Jersey, considerada por muitos como um paraíso fiscal.

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