Pandemia afetou deteção e tratamento de cancro em crianças

A pandemia prejudicou em 78% a capacidade das unidades hospitalares na deteção do cancro, indica relatório. Investigadores enfatizam "a urgência" de uma resposta global para prestar atenção à oncologia pediátrica durante a crise sanitária.

A pandemia teve "um grande impacto" na deteção do cancro em crianças, já que levou a uma "interrupção substancial" dos diagnósticos e tratamentos, especialmente em países considerados em desenvolvimento.

Estas conclusões, de acordo com os investigadores que publicaram um relatório na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health, enfatizam "a urgência" de uma resposta global distribuída equitativamente para prestar atenção à oncologia pediátrica durante a pandemia e em futuras emergência de saúde pública.

Os investigadores incluíram na publicação uma análise às respostas de 311 profissionais de 213 unidades de saúde, de 79 países que integram a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O trabalhou abarcou o período compreendido entre 22 de junho e 21 de agosto de 2020 e incluiu um questionário para avaliar as características dos hospitais, o número de pacientes diagnosticados com covid-19 e as alterações e adaptações na atenção ao cancro.

Quase metade das unidades de saúde declarou ter diagnosticado menos casos de cancro

Esta avaliação permitiu inferir que a pandemia prejudicou em 78% a capacidade das unidades hospitalares na deteção do cancro.

A pandemia também reduziu os recursos e a sua dispersão pelos serviços dos hospitais, prejudicando, consequentemente, o diagnóstico e tratamento do cancro.

Quase metade das unidades de saúde (43%) declarou ter diagnosticado menos casos de cancro, enquanto 34% informou um aumento no número de pacientes que abandonaram os tratamentos.

O questionário também revelou que quase um em cada dez hospitais (7%) teve de encerrar por completo a unidade dedicada aos casos de cancro pediátrico em algum momento, com o período médio de encerramento a corresponder a dez dias.

A maioria (87%) eram hospitais de países considerados em desenvolvimento.

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