Operadora de rede móvel sul-africana ameaça despedir funcionários que recusem vacina

O administrador do Grupo MTN anunciou em comunicado que a empresa "não será obrigada a manter o contrato de trabalho" daqueles que não se queiram vacinar.

A operadora de rede móvel sul-africana, MTN, anunciou esta segunda-feira que os funcionários que recusarem a vacina contra a covid-19 sem razão válida serão demitidos da empresa.

"Para os funcionários que não estão isentos da vacinação por meio de avaliação de risco ou isenção previamente acordada, mas que ainda recusam a vacinação, a MTN não será obrigada a manter o contrato de trabalho", disse em comunicado o administrador do Grupo MTN Ralph Mupita.

A operadora anunciou que a medida entrará em vigor em janeiro do próximo ano, abrangendo todas as empresas e subsidiárias do grupo.

"Como empregador, temos a responsabilidade de garantir que os nossos locais de trabalho observem os mais elevados padrões de saúde e segurança, e isso informou a decisão de tornar a vacinação da covid-19 obrigatória para os nossos funcionários", referiu.

O administrador da empresa sul-africana salientou que a nova medida sobre a covid-19 "reconhece" que alguns dos mercados onde a MTN opera "não têm acesso adequado às vacinas".

"Também reconhece algumas funções de baixo risco que serão acomodadas com teletrabalho a partir de casa em tempo integral ou arranjos alternativos, mas esta será uma pequena população da nossa força de trabalho", adiantou.

Segundo Ralph Mupita, a "equidade" no acesso à vacina da covid-19 "continua a ser um grande problema" para os países africanos, salientando que, "em todo o continente, apenas 7% dos africanos foram totalmente vacinados, comparativamente a uma taxa de vacinação da população mundial de 55%".

"A luta contra a covid-19 precisa de uma alocação global, abrangente e equitativa de vacinas", acrescentou.

O gestor sul-africano considerou que a recente suspensão de viagens dos países africanos imposta pelos países ocidentais, incluindo Portugal, "não é baseada na ciência, é injusta e agrava a falta de apoio a África, que é muito necessária para uma resposta global eficaz contra a pandemia".

"Os países africanos estão a ser castigados pela própria transparência que é necessária para combater com sucesso o impacto do vírus covid-19 nas vidas e nos meios de subsistência", acrescentou Ralph Mupita.

Contactada pela Lusa, a operadora de telefonia móvel sul-africana escusou-se até ao momento a esclarecer o número total de funcionários vacinados, não vacinados e de trabalhadores isentos da vacina por razões médicas na África do Sul e em Moçambique.

A vacina contra o novo coronavírus, que causa a covid-19, não é obrigatória na África do Sul, não estando também inscrita no plano de vacinação do sistema nacional de saúde do país até à data.

Todavia, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou recentemente que o Governo está a considerar a criação de uma "task force" para estudar o acesso a determinadas atividades através da obrigatoriedade do fármaco.

Na semana passada, os cientistas sul-africanos divulgaram a descoberta da nova variante Ómicron à Organização Mundial da Saúde (OMS), que havia sido também detetada no Botsuana e na Europa, resultando na suspensão imediata de viagens internacionais de países da África Austral.

Pelo menos 370 casos da nova variante Ómicron foram identificados em 24 países, segundo a imprensa sul-africana.

O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas (NICD) da África do Sul registou 11.125 novos casos de infeção do novo coronavírus, que causa a covid-19, e um óbito no passado domingo, elevando para 3.031.694 o número total de infeções no país.

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