ONU quer abordagem política de fundo para evitar mais destruição em Gaza

Philippe Lazzarini, chefe da agência da ONU para os refugiados palestinianos, quer uma abordagem centrada no desenvolvimento humano na região.

Após os "traumas" da quarta guerra entre o Hamas e Israel, a ONU apelou este domingo para uma reconstrução a longo prazo da faixa de Gaza, abordando as raízes do conflito israelo-palestiniano, para restaurar a esperança e evitar mais destruição.

Num momento em que os serviços públicos de Gaza estão a limpar os escombros, os comerciantes das lojas destruídas pelos bombardeamentos avaliam as perdas e a vida tenta voltar à normalidade, uma missão da ONU deslocou-se ao enclave palestiniano para estimar os danos de uma guerra de 11 dias com Israel.

Além dos mil apartamentos destruídos, de estradas afetadas, dos prejuízos em infraestrutras de tratamento de água, está toda a questão dos traumas psíquicos dos bombardeamentos e do futuro da faixa de Gaza e da Palestina, em geral, que urge resolver, segundo a ONU.

"Não devemos simplesmente colocar-nos numa abordagem de reconstrução (...), devemos ter uma abordagem mais ampla, centrada no desenvolvimento humano", disse à AFP Philippe Lazzarini, chefe da agência da ONU para os refugiados palestinianos.

"Isto significa que deve haver o acompanhamento de um verdadeiro processo político", acrescentou, sublinhando a necessidade de evitar uma "normalidade artificial" em Gaza, onde dois milhões de habitantes, e em particular jovens, estão dependentes de ajuda, sem futuro, "até à próxima erupção de violência".

O surto de violência entre o exército israelita e o Hamas deixou 248 palestinianos mortos, incluindo 66 crianças, segundo as autoridades em Gaza, e 12 mortos em Israel, incluindo uma criança, um adolescente e um soldado, segundo a polícia.

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