Onde está Navalny?, a pergunta que os russos fazem

#OndeEstáNavalny foi lançada nas redes sociais quinta-feira à noite, com um pedido de ajuda para a sua localização.

O adversário do Kremlin Alexei Navalny foi transferido para a colónia penal onde deverá cumprir uma pena de dois anos e meio, mas a informação sobre a sua localização ficou para o regime.

"Foi transferido para o local onde deveria estar por decisão judicial", disse Alexander Kalashnikov, diretor dos Serviços Prisionais Russos na sexta-feira. Acrescentou que essa transferência não representa "nenhuma ameaça à sua vida ou saúde". O opositor de Vladimir Putin "cumprirá a sua sentença em condições absolutamente normais", disse, assegurando que "Alexei Navalny, se assim o desejar, participará nas atividades de produção", sem especificar quais.

Legado da União Soviética, a maioria das penas de prisão na Rússia são cumpridas em colónias penais, algumas delas muito longe de qualquer lugar. O trabalho dos prisioneiros, geralmente em oficinas de costura ou de fabrico de móveis, é muitas vezes obrigatório.

Uma porta-voz dos serviços prisionais disse à AFP que não podia dar pormenores sobre o local de detenção de Alexei Navalny, uma vez que não lhe era permitido revelar dados pessoais sobre os detidos.

O advogado da oposição Vadim Kobzev, por seu lado, disse não ter conhecimento do paradeiro do seu cliente.

O crítico do Kremlin Alexei Navalny foi enviado para uma colónia penal russa seis meses depois de ter sido envenenado num ataque com agente nervoso, pelo qual culpa o presidente Vladimir Putin. No dia 20 foi condenado a uma multa por difamação, dias depois de no processo principal o tribunal ter confirmado a pena de prisão devido a um controverso caso de fraude.

Na segunda-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE avançaram com sanções, embora pela bitola mínima: quatro altos funcionários russos envolvidos no processo judicial contra o adversário e na repressão dos seus apoiantes, ao que o ministério dirigido por Serguei Lavrov se mostrou "dececionado" pelas "novas sanções ilegais e unilaterais contra cidadãos russos".

Na quinta-feira, Navalny perdeu um apoio de peso: a Amnistia Internacional, numa declaração, informou que esteve a rever o processo e que deixa de considerar o ativista como um "preso de consciência" tendo em conta as suas declarações no passado. Navalny é assumidamente nacionalista. Ainda assim, a ONG diz que nada justifica a prisão do russo.

Cronologia

Em coma para Berlim
O ativista anticorrupção de 44 anos é hospitalizado a 20 de agosto de 2020 em Omsk, Sibéria, depois de perder a consciência num voo.
Induzido em coma pelos médicos, é transferido dois dias mais tarde para um hospital em Berlim, a pedido da sua família.

Novichok
Berlim diz no 2 de setembro que testes realizados por um laboratório do exército alemão produziram "provas inequívocas" de que ele foi envenenado com Novichok, uma arma química da era soviética.
A União Europeia e a NATO exigem uma investigação.

A negação do Kremlin
Dois dias depois, o Kremlin rejeita as alegações de que estava por detrás do envenenamento. A 7 de setembro, a Navalny emerge do coma.

Laboratórios confirmam envenenamento
Laboratórios em França e na Suécia confirmam as conclusões da Alemanha de que o Novichok foi utilizado. Putin condena as acusações "não fundamentadas".

Putin acusado
Navalny acusa Putin de estar por detrás do seu envenenamento depois de ter tido alta do hospital a 22 de setembro. O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, diz que as alegações são "infundadas e inaceitáveis".

Provocação à secreta
Navalny lança em uutubro uma gravação a enganar um agente do Serviço de Segurança Federal Russo (FSB) para confessar que tentou matá-lo. O FSB descreve a chamada telefónica como uma "provocação".

Regresso desafiante
Navalny diz que planeia regressar a casa apesar de uma ameaça de prisão. É preso e detido a 17 de janeiro pouco depois de aterrar em Moscovo., mas Navalny exorta os russos a "saírem à rua".

O "palácio de Putin"
Ao ser transportado, Navalny lança um vídeo da sua investigação sobre uma propriedade luxuosa do Mar Negro que afirma ser propriedade de Putin. O vídeo ttorna-se viral, enquanto Putin nega ser dele. As autoridades prendem os aliados da Navalny.

Protestos e prisão
No final de janeiro, dezenas de milhares de manifestantes exigem a libertação da Navalny. A polícia prende milhares de pessoas. A 2 de fevereiro, Navalny é condenado a quase três anos de prisão. O Ocidente exige a sua libertação imediata. Navalny insta os seus apoiantes a libertar a Rússia de um "punhado de ladrões".

Crise diplomática
Enquanto o chefe da diplomacia da UE Josep Borrell visita Moscovo a 5 de fevereiro, o Kremlin expulsa diplomatas alemães, suecos e polacos por apoiarem Navalny.
Os três países expulsam os diplomatas russos em resposta.

Tribunal manifesta-se
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos ordena à Rússia que liberte a Navalny "com efeito imediato" a 17 de fevereiro. A Rússia acusa o tribunal de "interferência".

Recurso negado
Três dias depois, um tribunal de Moscovo indeferiu o recurso da Navalny, reduzindo ligeiramente a pena para dois anos e meio. Separadamente, é condenado por difamação e multado em 850.000 rublos (cerca de 9.500 euros). A UE impõe sanções em 22 de fevereiro a quatro altos funcionários russos.

Colónia penal
O diretor dos serviços prisionais russos diz na sexta-feira que Navalny foi transferido para uma colónia penal para cumprir a sua pena, mas não revela qual.

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