OMS avisa: "Não é hora de nenhum país abrandar medidas" de controlo da pandemia

Apesar da redução global no número de infetados e de mortes, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde avisa que ainda não estamos no momento de aliviar as medidas restritivas. "A complacência é tão perigosa quanto o vírus", considerou.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou esta sexta-feira que "não é hora de nenhum país abrandar as medidas" de controlo da pandemia de covid-19, apesar da redução global de infeções e mortes.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, que falava na videoconferência de imprensa regular da OMS sobre a covid-19, a partir da sede da organização, em Genebra, na Suíça, realçou a diminuição do número de infeções pela quarta semana consecutiva e de mortes pela segunda semana consecutiva, assinalando que os países estão a aplicar "medidas mais restritivas".

Contudo, apesar das estatísticas que considerou encorajadoras, disse que "não é hora de nenhum país abrandar as medidas".

"A complacência é tão perigosa quanto o vírus", acentuou.

OMS diz que estão em aberto todas as hipóteses sobre origem do vírus

O dirigente da OMS renovou o apelo para a partilha de tecnologia para acelerar a produção de vacinas contra a covid-19 e distribuí-las de forma equitativa.

"Nunca na história as vacinas foram desenvolvidas em menos de um ano após o aparecimento de um vírus", sublinhou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Thedros Ghebreyesus disse ainda que, após a missão de especialistas na China, todas as opções estão em aberto para explicar a origem do novo coronavírus.

"Quero confirmar que todas as hipóteses permanecem em aberto e requerem mais análise e estudo", disse o diretor-geral da agência de saúde das Nações Unidas, negando assim a mensagem que tinha sido passada pelos especialistas, numa conferência de imprensa em Wuhan, onde tinham descartado a hipótese de o vírus ter tido origem num laboratório.

Essa hipótese tinha sido repetida várias vezes pelo ex-Presidente dos EUA, Donald Trump, que atribuiu responsabilidades ao Governo de Pequim pela incapacidade de travar a pandemia de covid-19 na sua fase inicial e pediu à OMS um esclarecimento cabal sobre a origem do vírus.

Esta sexta-feira, Ghebreyesus disse que a recente missão de especialistas na China "não encontrou todas as respostas, mas forneceu informações importantes" que "aproximam do conhecimento da origem do vírus".

Relatório preliminar da visita da OMS a Wuhan conhecido na próxima semana

O diretor da OMS explicou que a missão - formada por especialistas de 10 países, incluindo EUA, Reino Unido, Alemanha e Rússia - divulgará um relatório preliminar da sua visita na próxima semana, que será ampliado nas próximas semanas e explicado numa nova conferência de imprensa dada pela equipa de especialistas.

Ghebreyesus referiu que a missão - que contou também com especialistas da Organização Mundial da Alimentação (FAO, na sigla em inglês) e da Organização para a Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês) - decorreu "em circunstâncias muito difíceis", pelo que agradeceu o empenho aos seus membros.

Mais de 107,7 milhões de casos de infeção

Presente na conferência de imprensa de hoje esteve também Peter Embarek, que chefiou a equipa de cientistas e que disse que a missão "conseguiu muitos sucessos".

"Temos agora uma melhor compreensão do que aconteceu em 2019", disse Embarek, salientando que esta iniciativa foi apenas "o início" do processo de investigações sobre a origem do novo coronavírus.

A pandemia da covid-19 provocou, pelo menos, 2 368 493 mortos no mundo, resultantes de mais de 107,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

Portugal totaliza 15 034 mortes associadas à covid-19 e 781 223 infeções, de acordo com o balanço mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A covid-19 é uma doença respiratória causada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e que se disseminou rapidamente pelo mundo.

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