Pelo menos 18 mortos em inundações em Nova Iorque

Bill de Blasio, presidente da câmara de Nova Iorque, fala em "evento climático histórico". Tráfego rodoviário esteve proibido. Entre as vítimas mortais está um menino de dois anos.

Pelo menos 18 pessoas morreram na costa leste dos Estados Unidos, de Maryland a Nova Iorque, em inundações ocorridas na noite de quarta-feira para esta quinta-feira na sequência da passagem do furacão Ida pelo país.

O Ida, que diminuiu de intensidade passando a tempestade tropical, causou chuvas intensas que inundaram caves, fizeram subir a água de rios e riachos para níveis recorde e transformaram estradas em canais.

Pelo menos nove pessoas morreram na cidade de Nova Iorque, entre as quais um menino de dois anos, e muitas ficaram presas em caves inundadas, disse a polícia e o presidente da câmara da cidade, Bill de Blasio, que chegou ao ponto de proibir o tráfego rodoviário em Nova Iorque até às 5.00 (10:00 em Lisboa), após o Serviço de Meteorologia Nacional em Nova Iorque ter indicado ter recebido "muitas informações de salvamentos e motoristas presos pela água".

Quatro outras foram encontradas mortas num prédio na cidade de Elizabeth, Nova Jersey, segundo o presidente da câmara local.

Fora da Filadélfia, as autoridades relataram "várias mortes", mas não deram mais pormenores. Um homem de 19 anos morreu numa cheia no complexo de Rockville na manhã de quarta-feira, disse a polícia.

A tempestade também originou tornados, incluindo um que destruiu casas e silos em Mullica Hill, Nova Jersey, a sul de Filadélfia.

As inundações obrigaram à suspensão da circulação do metropolitano na cidade de Nova Iorque e à anulação de centenas de voos nos aeroportos de Newark, LaGuardia e JFK.

Kathy Hochul, a governadora do estado de Nova Iorque, decretou "estado de emergência" após as inundações que afetam potencialmente cerca de 20 milhões de habitantes. O governador do vizinho estado de Nova Jersey, Phil Murphy, fez o mesmo, enquanto o Aeroporto Internacional de Newark cancelou todos os voos e o serviço ferroviário da região suspendeu quase todos os serviços.

"Tomámos todas as precauções necessárias e mobilizámos os nossos recursos para que fossem preparados no terreno, mas a mãe natureza faz o que quiser, e esta noite ela ficou muito zangada", disse Hochul à CNN.

Esta quinta-feira de manhã, a maior cidade do país tentava recuperar de uma cheia catastrófica, que fez lembrar a super tempestade Sandy em 2012.

O serviço meteorológico norte-americano (NWS) registou um recorde absoluto de 80 milímetros de chuva numa hora (mm/h) em Central Park. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, os aguaceiros de chuva são considerados violentos (a classificação mais grave) quando se registam valores acima dos 50 mm/h.

Os ventos fortes e chuvas torrenciais associadas ao Ida - que atravessou parte do país -- também derrubaram o telhado de um edifício dos correios em Nova Jersey e ameaçaram fazer transbordar uma barragem na Pensilvânia.

Pelo menos 220.000 clientes ficaram sem energia na região, a maioria em Nova Jersey e na Pensilvânia.

O Ida vai continuar a deslocar-se dirigindo-se esta quinta-feira para a Nova Inglaterra.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, visita na sexta-feira o Luisiana, onde o Ida destruiu muitas infraestruturas e deixou sem eletricidade mais de um milhão de habitações.

Nas redes sociais circulam vídeos que ilustram bem a gravidade das inundações em Nova Iorque:

Notícia atualizada às 17:25

Mais Notícias

Outras Notícias GMG