Netanyahu diz-se inocente mas não sabe se volta a tribunal antes das eleições

Primeiro-ministro é acusado de suborno, fraude e quebra de confiança. Legislativas antecipadas estão marcadas para 23 de março.

Quando Benjamin Netanyahu apareceu pela primeira em tribunal para responder por suborno, fraude e quebra de confiança, a 24 de maio de 2020, acabava de conquistar uma vitória política. Depois de três eleições inconclusivas, tinha conseguido formar um governo com o seu antigo rival, Benny Gantz. Ontem, o primeiro-ministro israelita voltou a sentar-se no banco dos réus, depois de meses de adiamentos por causa da covid-19, num cenário bastante diferente. A coligação que liderava desmoronou-se e a 23 de março os israelitas vão de novo às urnas. Netanyahu reiterou a sua inocência em relação às acusações, mas ainda não sabe se consegue evitar voltar a tribunal antes das eleições.

"Confirmo a resposta escrita submetida em meu nome", disse o primeiro-ministro de 71 anos na sala de audiências, em Jerusalém, depois de a juíza Rivka Feldman-Friedman ter perguntado como se declarava em relação às acusações. Moshe Bar-Am e Oded Shaham são os outros juízes do processo. Netanyahu foi obrigado a comparecer pessoalmente na audiência, apesar de a 18 de janeiro a sua defesa ter apresentado uma declaração por escrito no qual dizia que "o primeiro-ministro nega todas as acusações" nos três casos.

Netanyahu responde no processo 4000, o mais grave, por alegadamente ter negociado com Shaul Elovitch, do gigante de telecomunicações Bezeq, para garantir cobertura mediática positiva no portal de notícias Walla!, em troca de políticas que o beneficiariam. O processo 2000 diz respeito à procura de cobertura favorável do dono do jornal Yediot Aharonot. E o 1000 tem a ver com a receção de presentes, desde champanhe a joias que valeriam quase 180 mil euros de várias pessoas em troca de favores financeiros ou pessoais.

Netanyahu, que sempre defendeu que o processo era "político", esteve apenas 20 minutos na sala de audiências. À tarde, recebeu em Jerusalém o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis. No interior do tribunal, era possível ouvir os protestos no exterior, já que as regras para a prevenção da covid-19 obrigam a ter as janelas abertas. O primeiro-ministro pediu aos seus apoiantes - incluindo alguns deputados do seu partido Likud - para não irem até ao tribunal, por causa da pandemia. O local esteve sob apertadas medidas de segurança.

A audiência durou mais quatro horas após a intervenção de Netanyahu, com a defesa a centrar-se nos argumentos de que não houve aprovação formal, por escrito, do procurador-geral Avichai Mandeblit para abrir a investigação. E pediram o adiamento da fase de apresentação de provas. A acusação diz estar pronta para chamar as primeiras testemunhas, mas os juízes vão dizer nos próximos dias quando as audiências vão retomar.

Isso pode significar que Netanyahu só voltará a tribunal (é obrigado a estar presente três vezes por semana) depois das eleições, nas quais as sondagens lhe dão novamente a vitória. Mas não é claro que conseguirá, junto com os partidos aliados de direita e religiosos, a maioria suficiente de 61 deputados no Knesset para governar.

Uma sondagem Panels Research, citada pelo Jerusalem Post, dava-lhes só 49 lugares no Parlamento, contra 52 para os partidos que se opõem ao primeiro-ministro. Estes são liderados por Yair Lapid, do partido Yesh Atid, seu antigo ministro das Finanças. A Azul e Branca de Gantz pode só conseguir quatro. Neste cenário, o "fazedor de reis", que poderá dar a vitória a um ou a outro, é Naftali Bennett, líder do Yamina e antigo chefe de gabinete de Netanyahu, que pode conseguir 11 deputados.

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