Navalny. Rússia dá ao opositor do Kremlin um dia para se apresentar e evitar prisão

O Serviço Penitenciário Federal da Rússia deu ao opositor do Kremlin, Alexei Navalny, um dia para se apresentar no seu gabinete, caso contrário terá de enfrentar pena de prisão se regressar ao país após a data limite.

Navalny encontra-se na Alemanha em convalescença, depois de ser envenenado em agosto com um agente que ataca o sistema nervoso e de acusar de envolvimento o Kremlin, que negou prontamente a acusação.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira (28), o Serviço Penitenciário Federal garante que um artigo publicado domingo na revista médica The Lancet, por médicos do hospital de Berlim onde Navalny foi internado, indica que o líder da oposição já se encontra totalmente recuperado.

Os serviços prisionais exigiram o regresso de Navalny ao seu gabinete nos termos de uma sentença de três anos e meio, com pena suspensa, que recebeu em 2014.

Se falhar o prazo limite para se apresentar, poderá ser preso, diz o comunicado.

Navalny, que disse anteriormente que tem a intenção de regressar à Rússia quando estiver totalmente recuperado, já reagiu à exigência dizendo que a referência do Serviço Penitenciário Federal ao artigo publicado na The Lancet é uma admissão por parte do governo russo de que foi envenenado.

"Isto significa que o Estado reconheceu oficialmente o envenenamento. Onde está o caso criminal, então?", questionou através da rede social Twitter.

Crítico feroz do regime de Vladimir Putin, Alexei Navalny adoeceu gravemente em 20 de agosto num avião na Sibéria, enquanto fazia campanha para as eleições locais e regionais.

Depois de ser tratado num hospital da Sibéria, foi transferido para o hospital Charité de Berlim, de onde recebeu alta algumas semanas depois.

Desde então, Navalny acusa os serviços secretos russos de estarem por trás da tentativa de assassínio, alegação considerada "delirante" por Moscovo, que até agora negou que tenha sido envenenado, por falta de acesso a provas de intoxicação.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, bem como testes da Organização para a Proibição das Armas Químicas, comprovaram que Navalny esteve exposto ao agente químico Novichok.

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