Terrorista dos atentados de Paris: "Não há Deus senão Alá"

Salah Abdeslam, o único terrorista dos atentados de Paris que sobreviveu, começou a ser julgado. Perante o coletivo de juízes disse ser "um combatente do Estado Islâmico".

Começou ao julgamento de Salah Abdeslam, o único terrorista dos atentados de Paris que sobreviveu. "Não há Deus senão Alá". Estas foram as suas primeiras palavras perante o coletivo de juízes.

Salah Abdeslam participou ativamente nos atentados de 13 de novembro de 2015, contra o portão D do estádio de futebol Stade de France, em Saint-Denis, cafés e restaurantes de dois bairros da capital e a sala de espetáculos Bataclan, em que morreram 130 pessoas e mais de 4000 ficaram feridas.

Quando o julgamento começou, Abdeslam identificou-se como sendo um "combatente do Estado Islâmico".

Questionado pelo tribunal de Paris para confirmar sua identidade no início do processo, Salah Abdeslam, disse: "em primeiro lugar, quero declarar que não há deus senão Alá e Maomé é o seu mensageiro", citando uma declaração da fé islâmica conhecida como Shahadah.

Quando lhe perguntaram pela profissão, Salah Abdeslam respondeu: "abandonei todas as profissões para me tornar um combatente do Estado Islâmico", o grupo extremista que reivindicou aqueles atentados.

O julgamento dos piores ataques 'jihadistas' realizados em solo francês iniciou-se esta quarta-feira pouco depois das 13:00 locais (12:00 em Lisboa) no histórico Palácio de Justiça de Paris, sob segurança máxima, num contexto de ameaça terrorista ainda elevada.

Vinte acusados vão ser julgados durante cerca de nove meses, incluindo aquele franco-marroquino que fez parte dos executores dos atentados - bombistas suicidas no Stade de France, esplanadas de cafés e a sala de espetáculos Bataclan no centro de Paris varridas a metralhadora -, que além dos mortos deixaram mais de 350 feridos.

"Devemos construir (uma) memória coletiva, reafirmando os valores da humanidade e da dignidade", disse o antigo procurador de Paris François Molins à rádio RTL. E permitir "às famílias das vítimas compreender o que aconteceu", adiantou.

No total, 12 dos 20 acusados enfrentam a prisão perpétua

Dez outros homens, presos durante o período do julgamento, ocuparam hoje o seu lugar ao lado de Abdeslam no banco dos réus, julgados pela sua participação nos atentados.

Três réus comparecem em liberdade sob controlo judicial e outros seis são julgados à revelia. No total, 12 dos 20 acusados enfrentam a prisão perpétua.

Os primeiros dias da audiência vão servir só para enumerar as vítimas, perto de 1800. Os primeiros testemunhos vão ser ouvidos a partir de dia 13 de setembro e as vítimas começam a ser ouvidas a 28 de setembro. Durante cinco semanas, as pessoas tocadas diretamente pelos atentados vão contar o terror vivido no Stade de France, no Bataclan e nos cafés do 11º bairro.

Este belga de origem marroquina ajudou a preparar os ataques coordenados, deixou os seus companheiros no Stade de France para cometerem o ataque, mas acabou por deitar fora o seu próprio colete de explosivos.

Desde a sua prisão, no início de 2016, Abdeslam está em silêncio, recusando cooperar com as autoridades, referindo apenas que o que fez foi a pedido do irmão, Brahim, que morreu nos atentados.

Quanto às vítimas, há pelo menos 1765 pessoas que se constituíram como partes civis, ou seja, diretamente afetadas pelo ataque. Entre elas há os feridos, mas também as famílias das vítimas mortais, assim como todas as pessoas que testemunharam o terror naquela noite no Stade de France e no 11.º bairro de Paris.

No total, há 330 advogados que vão intervir diretamente no processo, alguns para defender os alegados terroristas, mas a maior parte pertencem à acusação. Alguns dos melhores escritórios de advogados da capital defendem associações de vítimas, outras vítimas individuais ou ainda grupos de vítimas que não se inserem nas associações.

Ao contrário de muitos crimes graves em França, os crimes de terrorismo não têm júri.

O caso vai, portanto, ser julgado por cinco juízes, com outros quatro juízes de reserva, caso haja necessidade de fazer trocas durante as audiências.

Com Lusa

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