Mudança na lei e novas detenções afastam adversários de Vladimir Putin

Aprovada lei que afasta candidaturas políticas de dirigentes e apoiantes de organizações "extremistas", quando um tribunal analisa se o movimento de Navalny se enquadra nessa designação. Dezenas de milhares de cidadãos visados.

O porta-voz do presidente russo Dmitry Peskov disse ontem que as mais recentes detenções de dois opositores ao regime "nada têm a ver com política", no mesmo dia em que a câmara alta aprovou legislação que poderá impedir milhares de pessoas de concorrer a eleições, numa iniciativa que afasta ainda mais a Rússia dos padrões democráticos. "Nem um só país civilizado permite extremistas nos seus órgãos oficiais", disse o senador Andrei Klimov antes da votação no Conselho da Federação, que recolheu os votos favoráveis de 146 senadores e um contra. A iniciativa legislativa segue agora para o Kremlin, para promulgação do presidente.

O projeto de lei impede a candidatura às eleições parlamentares de líderes, membros e patrocinadores de grupos considerados "extremistas". Os líderes de tais grupos não poderão concorrer nas eleições parlamentares durante cinco anos, enquanto os militantes e os financiadores estarão proibidos de concorrer durante três anos. As eleições parlamentares estão marcadas para setembro.

Pivoravov, até há dias diretor da pró-democrática e agora dissolvida Open Russia, foi detido num avião. Gudkov, deputado da oposição, é acusado de ter uma dívida.

O projeto de lei, que recebera antes a aprovação da Duma, pode limitar em específico a atividade política de dirigentes e ativistas da Fundação Anticorrupção (FBK), o movimento político de Alexei Navalny, e também dezenas de milhares de russos que apoiaram o seu trabalho com donativos. A questão está no que se designa "extremista". Um tribunal russo está a avaliar a possibilidade de designar a rede política da Navalny como tal, e uma decisão pode ser tomada na próxima semana.

Depois da prisão de Alexei Navalny e de aliados seus, mais dois ativistas políticos, Dmitry Gudkov e Andrei Pivovarov, foram detidos nos últimos dias. Pivovarov foi detido poucos dias após a Open Russia, fundada pelo crítico de Putin Mikhail Khodorkovsky, ter sido formalmente dissolvida para proteger os seus membros de possíveis processos judiciais. O grupo pró-democrático foi designado uma organização "indesejável" na Rússia em 2017, em conformidade com uma lei que visava grupos financiados por estrangeiros acusados de ingerência política. Na segunda-feira, Pivovarov foi retirado do avião num voo que tinha Varsóvia como destino. O ex-diretor executivo da Open Russia, de 39 anos, enfrenta até seis anos de prisão.

Na terça-feira, a polícia deteve Gudkov, de 41 anos, depois de realizar rusgas às casas dos seus próximos e familiares. O antigo deputado da oposição enfrenta até cinco anos de prisão por alegadamente não ter pago uma dívida ao abrigo de um antigo contrato de arrendamento.

Austríaca na petrolífera russa

Convidou Putin para o seu casamento, em 2018, e a imagem da noiva a dançar com o líder russo percorreu o mundo. No ano seguinte Karin Kneissl, até então ministra dos Negócios Estrangeiros do governo de Sebastian Kurz, cessou funções.

Depois de escrever artigos de opinião para a RT, órgão de informação pró-Kremlin, a diplomata de 56 anos que fala oito línguas (mas não o russo) foi agora admitida na administração da Rosneft, companhia petrolífera russa chefiada por Igor Sechin, do círculo próximo de Putin.

Kneissl vai encontrar como presidente do conselho de administração da terceira maior empresa russa Gerhard Schröder, o ex-chanceler da Alemanha.

cesar.avo@dn.pt​​​

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