Ministras de Renzi demitem-se do governo de Conte e abrem crise em Itália

Ex-primeiro-ministro diz que não é ele que abre a crise e lembra que esta está aberta "há meses".

O ex-primeiro-ministro italiano Matteo Renzi anunciou a saída dos dois ministros do seu partido "Itália Viva" da coligação de governo liderada por Giuseppe Conte, abrindo uma crise política em Itália.

Após semanas de ameaça, Renzi confirmou a demissão da ministra da Agricultura, Teresa Bellanova, e da ministra da Família e da Igualdade de Oportunidades, Elena Bonetti. Renzi alega contudo que o "Itália Viva" não abriu uma crise política, já que esta está aberta "há meses".

"O rei vai nu, a política não é um reality show", disse Renzi, dizendo-se confiante no papel do presidente Sergio Mattarella.

Conte poderá agora demitir-se, poderá ser novamente convidado a formar governo ou simplesmente fazer uma remodelação governamental. Em última análise, a crise poderá contudo levar a eleições antecipadas em Itália, sendo que a extrema-direita da Liga de Matteo Salvini é a favorita.

Questionado antes do anúncio de Renzi sobre se iria demitir-se caso as duas ministras deixassem o governo, Conte respondeu: "Espero não chegar tão longe", dizendo esperar que o novo plano de recuperação fosse suficiente para acalmar o ex-primeiro-ministro.

Na origem da cisão entre Renzi e Conte está o destino dos 222,9 mil milhões de euros do plano de recuperação (incluindo mais de 200 mil milhões vindos da Europa).

Renzi tem criticado a gestão, que considera "solitária", da pandemia e discorda do plano idealizado pelo primeiro-ministro para absorver e aplicar os mais de 200 mil milhões de euros que a União Europeia (UE) deverá disponibilizar em breve no quadro do relançamento económico e do combate à crise sanitária.

A discórdia levou o Governo de Conte a aprovar terça-feira, em Conselho de Ministros, uma nova versão do plano, em que as duas ministras do Itália Viva se abstiveram.

"Não permitiremos a ninguém ter plenos poderes. Isso significa que o hábito de governar com decretos-leis que se transformam noutros decretos-leis [...] representa, para nós, um atentado às regras de jogo. Pedimos o respeito pelas regras democráticas", afirmou Renzi, que também excluiu qualquer apoio à oposição da direita italiana.

"Não temos preconceitos nem sobre os nomes, nem sobre as fórmulas", acrescentou Renzi, parecendo assim aberto a um possível novo Governo liderado por Conte.

Ao mesmo tempo, descartou qualquer apoio à oposição de direita e, em particular, à extrema-direita da Liga Norte, de Matteo Salvini.

"Jamais daremos vida a um governo com as forças da direita soberanista contra quem combatemos", frisou.

O Governo de Conte estava há várias semanas a ser alvo de críticas do líder do Itália Viva, pequeno partido cujo apoio é crucial para a sobrevivência do executivo.

As demissões surgem numa altura em que Itália está a ser atingida fortemente pela pandemia de covid-19, tendo esta quarta-feira ultrapassado as 80 mil mortes em mais de 2,3 milhões de casos de contágio desde o início da crise sanitária, em fevereiro de 2020, tendo o Governo anunciado, paralelamente, a prorrogação do estado de emergência no país até 30 de abril.

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