Manifestações contra restrições juntam milhares em cidades alemãs

A maioria dos manifestantes não usava máscaras e não respeitou o distanciamento social, lamentou a polícia de Dresden, cidade da ex-RDA, onde o chamado movimento antimáscara é particularmente ativo.

Protestos contra as restrições anti-covid-19 juntaram este sábado milhares de pessoas em várias cidades da Alemanha, apesar de as autoridades sanitárias alertarem para o risco de contágio e eventual novo surto, segundo a agência AFP.

Em Munique, a polícia teve de dispersar uma manifestação que juntou vários milhares de pessoas que se aglomeraram perto do parlamento da Baviera.

Cerca de 2.000 pessoas, segundo estimativa da polícia, manifestaram-se também em Dusseldorf, oeste do país, num evento que envolveu o desfile rodoviário de 100 caravanas.

Em Dresden (Saxónia), centenas de pessoas, incluindo ativistas de extrema direita e antivacinas, manifestaram-se, segundo a polícia local, também num local próximo do parlamento daquela região estadual.

A manifestação havia sido proibida pelas autoridades locais, uma decisão anunciada na noite de sexta-feira pelo tribunal administrativo da região.

A maioria dos manifestantes não usava máscaras e não respeitou o distanciamento social, lamentou a polícia de Dresden, cidade da ex-RDA, onde o chamado movimento antimáscara é particularmente ativo.

A polícia tentou dispersar a manifestação no final da tarde de hoje, tendo ocorrido confrontos ocasionais entre os participantes e a polícia, ainda de acordo com fontes da polícia.

Entretanto, canhões de água foram colocados perto de um centro de vacinação no centro daquela cidade.

"Será que todos os que participam desta manifestação proibida percebem os crimes cometidos? O coronavírus não vai parar assim, pelo contrário!", declarou Lambasted Martin Dulig, chefe do governo regional.

Outras manifestações foram anunciadas para este fim de semana noutras cidades da Alemanha, como Kiel, Hanover ou Magdeburgo.

As manifestações surgem numa altura em que as autoridades de saúde alemãs alertam sobre a possibilidade de haver uma terceira vaga infecciosa ligada à propagação da variante britânica do vírus.

"A extrapolação das tendências mostra que devemos esperar um número maior de casos na primeira semana de abril do que no Natal", alertou hoje o instituto Robert Koch, responsável pelo acompanhamento epidemiológico.

A taxa de incidência de sete dias pode então chegar a 350, contra 76,1 registado hoje.

O chefe do instituto Robert Koch, Lothar Wieler, preveniu na quinta-feira que "a terceira vaga já havia começado na Alemanha".

As restrições continuam severas na Alemanha, com o encerramento há meses de bares, restaurantes, espaços culturais e desportivos e de lojas consideradas não essenciais.

A chanceler Angela Merkel e os líderes dos 16 Estados regionais devem fazer um balanço e anunciar eventuais novas medidas em 22 de março.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.640.635 mortos no mundo, resultantes de mais de 119 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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