Mais de cinco mil detidos em protestos pró-Navalny

Pelo segundo fim de semana consecutivo, apoiantes do opositor russo foram para as ruas exigir a sua libertação.

Milhares de russos ignoraram os alertas das autoridades e saíram para a rua, pelo segundo fim de semana consecutivo, para exigir a libertação do líder opositor, Alexei Navalny. Mais de cinco mil pessoas terão sido detidas nos protestos não autorizados, segundo o OVD Info (que monitoriza a perseguição política), incluindo a mulher de Navalny, Yulia Navalnya.

A polícia tinha avisado que iria deter aqueles que violassem a proibição de realizar manifestações, tendo totalmente bloqueado o centro de Moscovo - o plano original era protestar diante dos escritórios dos serviços de segurança FSB -, e fechado até várias estações de metro. Os manifestantes acabaram mais dispersos na capital, indo mesmo até à prisão de Matrosskaya Tishina onde Navalny está detido, sendo que os protestos se repetiram noutras cidades russas, de São Petersburgo a Vladivostok.

De acordo com a OVD Info, até às 22.33 locais (19.33 em Lisboa) já tinham sido detidas 5021 pessoas em 86 cidades. No sábado da passada semana, nas maiores manifestações em anos na Rússia, o número de detidos não tinha chegado aos quatro mil. A maioria das detenções ocorreu em Moscovo (1608), mas também em São Petersburgo (1122), a segunda cidade do país.

Entre os detidos está a mulher de Navalny, que segundo a sua equipa foi detida pouco tempo depois de ter anunciado nas redes sociais que tinha chegado ao local da manifestação.

Os manifestantes exigem a libertação de Navalny, que foi detido no regresso à Rússia após cinco meses na Alemanha, onde esteve a receber tratamento médico. O opositor de 44 anos foi envenenado com um gás nervoso (novichok), culpando o presidente Vladimir Putin de estar por detrás da tentativa de assassinato. O presidente nega a acusação.

Os manifestantes gritaram "liberdade" e "Putin é um ladrão", ignorando o frio e a neve em Moscovo. "Se isto está a acontecer agora a uma pessoa que é famosa na Rússia e no mundo, podia acontecer a qualquer um no futuro", disse um dos manifestantes à AFP.

As acusações de "ladrão" surgem depois de a equipa de Navalny revelar o que apelidou de "palácio de Putin", uma mansão nas margens do Mar Negro no valor de mil milhões de euros que, entre outras coisas, tem piaçabas de luxo que custam 700 euros. Alguns manifestantes foram para a rua com piaçabas dourados. O presidente nega ser o proprietário e um empresário milionário já veio a público dizer que a propriedade é dele.

Em São Petersburgo, os media locais relataram o uso de gás lacrimogéneo e de tasers por parte da polícia, com um agente alegadamente a ameaçar os manifestantes com a sua arma.

No regresso a Moscovo, a 17 de janeiro, Navalny foi detido por violar a obrigatoriedade de se apresentar às autoridades, por causa de um processo em que foi condenado a pena suspensa, contudo enfrenta vários outros processos, podendo vir a ser condenado a anos de prisão. A comunidade internacional tem apelado à sua libertação e a uma investigação sobre o envenenamento.

"Os EUA condenam o uso persistente de táticas de força contra manifestantes pacíficos e jornalistas pelas autoridades russas pela segunda semana consecutiva. Renovamos o nosso apelo à Rússia para que liberte os detidos por exercerem os seus direitos humanos, incluindo Alexei Navalny", escreveu no Twitter o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, também condenou "as detenções generalizadas e o uso desproporcional da força" por parte da polícia contra os manifestantes.

Moscovo condenou a ingerência.

(Notícia atualizada às 22.30)

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