"Lukashenko está a transformar o meu país numa Coreia do Norte da Europa"

A líder do Movimento Democrático Bielorrusso, Sviatlana Tsikhanouskaya, pede à União europeia para avançar com as sanções contra pessoas e entidade próximas de Lukacheko.

Sviatlana Tsikhanouskaya afirmou esta quarta-feira perante o Parlamento Europeu que a estratégia que veio a ser seguida pela União Europeia, em relação ao regime de Alexander Lukashenko até aqui não funcionou e deve ser mais interventiva, sob pena de a Bielorrússia se tornar numa "Coreia do Norte da Europa".

"A abordagem da UE de aumentar gradualmente a pressão sobre o regime de Lukashenko não conseguiu mudar o comportamento dele e apenas conduziu a um sentimento crescente de impunidade e a repressões maciças", afirmou a dissidente que viu, nos últimos meses, a atuação de Lukashenko agravar-se.

Tsikhanouskaya apela à União Europeia para agir o mais rapidamente possível, sem esconder algum tipo de crítica ao modelo de "esperar para ver" que tem servido de estratégia até aqui, mas "não está a funcionar".

"Os bielorrussos vivem nesta atmosfera de ilegalidade há mais de nove meses, o desrespeito pelos direitos humanos e pela liberdade é característico do estilo de Lukashenko durante décadas, mas desde as eleições fraudulentas de agosto de 2020, o regime perdeu completamente os limites do comportamento aceitável", lamentou.

Para a professora, líder do Movimento Democrático Bielorrusso, "a resposta deve abordar a situação na Bielorrússia na sua totalidade ou todos enfrentaremos situações semelhantes no futuro, uma vez que Lukashenko está a transformar o meu país numa Coreia do Norte da Europa: não transparente, imprevisível e perigosa".

Tsikhanouskaya apela à União Europeia para "negar ajudas financeiras a Minsk, travar novos investimentos estrangeiros e abolir a entrada de produtos bielorrussos no espaço europeu", bem como "impor uma proibição às importações de barris de produtos petrolíferos, fertilizantes de potássio, produtos de metal e madeira e produtos de madeira, e abster-se de todos os novos investimentos estrangeiros na Bielorrússia e de novas linhas de crédito para bancos bielorrussos".

A falar para o Parlamento Europeu, que em dezembro lhe atribuiu a mais alta distinção europeia em matéria de direitos Humanos, o Prémio Sakharov, Tsikhanouskaya pediu que ao mesmo tempo que sancionar o regime, a UE reforce os apoios a "entidades da sociedade civil".

Exilada na Lituânia desde agosto, de onde interveio por videoconferência, Sviatlana Tsikhanouskaya considerou que "com o desvio do voo da Ryanair, Lukashenko cruzou a linha e tornou-se uma ameaça à paz e segurança internacionais". Por essa razão, considera que a reação da comunidade internacional está "justificada" e deve ser "forte e eficaz".

Já esta semana, a União Europeia reagiu "unanimemente" contra a atuação de Minsk, condenando "veementemente" a aterragem forçada de um voo da Ryanair na capital bielorrussa, salientando que o ato "colocou em perigo a segurança da aviação".

União Europeia quer ver o "incidente inaceitável e sem precedentes" investigado "urgentemente" pela Organização da Aviação Civil Internacional. Bruxelas vai apresentar uma lista adicional de pessoas e entidades "o mais rapidamente possível", para que sejam adotadas sanções. O espaço aéreo e os aeroportos estão vedados às companhias aéreas bielorrussas. As companhias europeias são desaconselhadas de sobrevoarem o país.

Ainda ontem, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, apelou a "uma resposta imediata, eficaz e forte" ao que classificou como "um rapto de Estado", perante o caso "inédito e gravíssimo que precisava de respostas imediatas".

Sassoli apelou ainda "às autoridades da Bielorrússia pela libertação imediata", do ativista opositor do regime, Roman Protacevich e da namorada, Sofia Sapega, para que lhes seja dada "a possibilidade de serem acompanhados até à fronteira e enviados ao local onde pretendiam chegar".

A presidente da Comissão Europeia lamentou o "ataque à democracia, à liberdade de expressão e à soberania europeia", levando a cabo pela Bielorrússia, dando conta de que "haverá sanções adicionais para todos os indivíduos envolvidos no sequestro, mas desta vez também sobre os negócios e entidades económicas que estão a financiar este regime".

"A segurança dos voos sobre o espaço aéreo da Bielorrússia não é mais confiável e o conselho adota medidas para banir os voos da companhias aéreas bielorrussas ao espaço aéreo e aos aeroportos europeus", acrescentou a chefe do executivo comunitário que vai agora, em conjunto com o Alto Representante para a Política Externa, preparar o conjunto de novas medidas.

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