Líder do MpD proclama vitória e diz que é "lição" para a oposição

O presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Ulisses Correia e Silva, proclamou esta segunda-feira vitória nas eleições legislativas em Cabo Verde, afirmando que vai "continuar o bom trabalho" e que o resultado é uma "lição" para a oposição.

"Foi uma grande vitória, a vitória de Cabo Verde. Nós estávamos à espera desta vitória", afirmou Ulisses Correia e Silva, também primeiro-ministro em funções, ao fazer o discurso da vitória, na sede nacional do MpD, na Praia, com dezenas de militantes em festa no exterior. Acrescentou ainda que as previsões apontam para a eleição de 38 deputados do MpD, menos dois face a 2016, mas suficiente para manter a maioria absoluta.

"Fizemos uma boa campanha, um bom combate, conseguimos convencer os cabo-verdianos da justeza daquilo que foi o percurso da governação, uma situação muito difícil, e da justeza das nossas propostas para o futuro", afirmou Ulisses Correia e Silva. "Estamos aqui para continuar um bom trabalho: colocar Cabo Verde no caminho seguro para o desenvolvimento, colocar Cabo Verde mais resiliente", continuou.

No momento do discurso de vitória, cerca das 22:00 locais de domingo (00:00 em Lisboa), o MpD liderava a votação global, com 49,2%, equivalente a 108.113 votos e 36 deputados confirmados pelos resultados oficiais, a um da maioria absoluta, quando permanecem quatro por distribuir, nos círculos da América e Europa e Resto do Mundo.

"A mensagem dos cabo-verdianos é muito clara. É uma mensagem de compromisso para o futuro, é uma mensagem de confiança, é uma mensagem de rejeição também a um tipo de política que não deve fazer escola aqui em Cabo Verde. Populismo exagerado, irresponsabilidade, falta de sentido de Estado. Os cabo-verdianos deram também um cartão vermelho a este tipo de oposição", afirmou.

Segundo os dados oficiais à mesma hora, com 96,8% das mesas de voto apuradas, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) soma 83.401 votos (37,9%) e 28 deputados, enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) conta 19.762 votos e quatro deputados, para uma taxa de abstenção global de 41,9%.

"Em 2016 [vitória do MpD] eu tinha dito que ninguém perdeu as eleições. Desta vez houve perdedores. Houve perdedores relativamente àqueles que fizeram da política a forma de ataque, não ao Governo nem ao MpD, mas ataque ao país, política de terra queimada, uma oposição pouco contributiva, negacionista", criticou. "Trouxe muito pouco para o país. E em situações muito difíceis, nós esperávamos que houvesse uma atitude diferente. É uma lição para esta oposição, porque Cabo Verde precisa de uma oposição forte, mas responsável, com sentido de Estado", enfatizou o líder do MpD.

No discurso da vitória, Ulisses Correia e Silva traçou como prioridade imediata a massificação da vacinação da covid-19, para atingir mais de 70% da população até final do ano, de forma a defender a saúde e a economia, mas também conseguir "eliminar a pobreza extrema em Cabo Verde" - de famílias com rendimentos inferiores a dois dólares por dia -, através de "programas muito assertivos de retoma económica e proteção social".

Com este resultado eleitoral, Ulisses Correia e Silva será reconduzido como primeiro-ministro de Cabo Verde, cargo que ocupa desde 2016, mantendo a maioria absoluta no parlamento. "A maioria absoluta é essencial porque nós queremos ter estabilidade para governar", disse ainda.

Presidente do PAICV pede demissão após derrota eleitoral

A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, anunciou esta segunda-feira que vai pedir nos próximos dias a sua demissão da liderança do partido após a derrota nas eleições legislativas de domingo. O anúncio da líder da oposição foi feito na sede nacional do PAICV, na Praia, já depois de o presidente do Movimento para a Democracia (MpD) ter proclamado a vitória, mantendo a maioria absoluta no parlamento.

"Como sempre disse, para mim, a política não pode ser encarada como profissão nem como carreira. Penso que na política sempre é preciso ser-se coerente e consequente e retiro sim consequências políticas dos resultados destas eleições, por isso, nos próximos dias apresentarei a minha demissão como presidente do PAICV aos órgãos do partido", anunciou Janira Hopffer Almada.

Há cinco anos, mas após perder as eleições autárquicas, Janira Hopffer Almada colocou o cargo à disposição do partido, mas acabaria depois por continuar na liderança, que agora pretende deixar, sem dar indicações quanto ao próximo líder, explicando que não deve interferir. "Aqui devo ter sobretudo uma postura de retirar as consequências, mas não intervir para o futuro. Penso que um líder que sai não deve tentar criar condicionalismos a um futuro líder que vai entrar. Não seria correto nem ético da minha parte", justificou.

A líder partidária não respondeu também se, mesmo deixando a liderança do partido, vai ocupar ou não o cargo de deputada no parlamento cabo-verdiano. "Penso que por ora já fiz as declarações que me cabiam", afirmou Janira Hopffer Almada.

Durante a declaração, a presidente do PAICV felicitou ainda o Movimento para a Democracia (MpD) e o seu líder, Ulisses Correia e Silva, pela vitória nas eleições, reconhecendo que "o povo é sempre soberano" e a sua vontade deve ser sempre respeitada. "Parabenizo o MpD e Ulisses Correia e Silva e espero que Cabo Verde, de facto, tenha bons tempos na sua governação", afirmou a presidente do maior partido da oposição cabo-verdiana, que agradeceu ainda a todos os cabo-verdianos que acompanharam o partido nesta jornada.

Questionada sobre o que correu mal para o PAICV voltar a perder as eleições legislativas, Janira Hopffer Almada respondeu que não poderá dizer, mas apenas que a governação feita durante os últimos cinco anos pelo MpD foi aprovada. "Nós temos uma visão diferente, mas aquilo que importa é a visão do povo, nós temos que respeitar a visão do povo, que é sempre superior a todas as visões", salientou a presidente, numa declaração ladeada por membros do partido.

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