Lavrov exige atos aos EUA e avisa que o Ártico é território russo

Lavrov, que na terça-feira se encontrará com Blinken na capital da Islândia no âmbito da reunião do Conselho do Ártico, anunciou que discutirão "tudo" o que influencia a estabilidade estratégica.

Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo, exigiu esta segunda-feira ações e não palavras para normalizar as relações com os EUA e alertou que o Ártico é uma zona de influência russa, antes de se reunir terça-feira com o homólogo norte-americano.

"O secretário de Estado dos Estados Unidos [Antony Blinken] (...) disse que devemos defender as relações estáveis e previsíveis. Mas se isso significa sanções previsíveis e estáveis, certamente não é disso que precisamos", disse Sergei Lavrov numa conferência de imprensa.

"Vamos valorizar os apelos pela normalização dos EUA não por palavras, que já foram muitas, mas por atos", destacou.

Lavrov, que na terça-feira se encontrará com Blinken na capital da Islândia no âmbito da reunião do Conselho do Ártico, anunciou que discutirão "tudo" o que influencia a estabilidade estratégica.

"Tudo o que de uma forma ou de outra influencia a estabilidade estratégica, armas nucleares e convencionais, armas ofensivas e defensivas (...), deve estar na mesa de negociações", afirmou.

Lavrov espera um "diálogo profissional" que permita a Moscovo esclarecer "as intenções dos Estados Unidos" e a sua posição sobre os principais problemas internacionais que afetam os interesses russos.

O ministro russo está disposto a procurar um "equilíbrio de interesses" com o seu homólogo norte-americano na base da igualdade e do respeito mútuo, tanto nas relações bilaterais quanto na esfera internacional.

Ao mesmo tempo, o ministro russo lembrou que - como disse o Presidente russo, Vladimir Putin, no seu último discurso sobre o estado da nação - será Moscovo quem decidirá o formato e os temas dessa cooperação.

"As linhas vermelhas que não poderemos cruzar ao analisar a agenda internacional também serão determinadas pela Rússia. Isso afeta totalmente a questão da estabilidade estratégica", explicou.

A este respeito, Lavrov sublinhou que Moscovo está preocupado com a "ofensiva" da NATO no Ártico e, em particular, com a atitude da vizinha Noruega, que "por todos os meios" tenta justificar a presença da Aliança Atlântica na região.

Na Islândia, "na reunião ministerial do Conselho do Ártico, é claro, vamos falar abertamente sobre isso", acrescentou.

O ministro russo também refutou as críticas de que a Rússia está a aumentar a sua presença militar no Ártico.

"Todos sabem que este é o nosso território, a nossa terra", disse Lavrov.

"Somos responsáveis por garantir que nossa costa ártica seja segura e tudo o que nosso país faça seja absolutamente legal e legítimo", insistiu.

Na tentativa de reduzir os "riscos" ao nível militar, o chefe da diplomacia russa propôs a retomada do mecanismo de reuniões regulares dos chefes do Estado-Maior dos países membros do Conselho Ártico.

"Esse mecanismo funcionou, mas há cerca de sete anos os nossos parceiros ocidentais decidiram congelá-lo. Então, se decidiram congelá-lo, não se zanguem se não houver diálogo. O diálogo não foi suspenso por nós", enfatizou.

A Rússia assumirá na capital islandesa a presidência rotativa do Conselho do Ártico, entidade que inclui Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia e Suécia.

Na semana passada, além de concordar com o encontro, Lavrov e Blinken discutiram em conversa telefónica a proposta de Washington de organizar uma cimeira entre os Presidentes das duas potências nucleares, o russo Vladimir Putin e o norte-americano Joe Biden.

Caso ocorra, será a primeira reunião de alto nível entre os líderes dos dois países desde que Putin e o ex-Presidente dos EUA, Donald Trump, se encontraram-se em Helsínquia, em julho de 2018.

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