Kim Jong-un admite erros na abertura do congresso do partido

Oitavo congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, e o primeiro em cinco anos, arrancou na terça-feira com sete mil delegados.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, abriu o primeiro congresso do seu partido em cinco anos com a admissão de erros e a promessa de novos objetivos de desenvolvimento, informou a agência estatal.

O oitavo congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia começou na terça-feira em Pyongyang na presença de sete mil delegados e participantes. Nenhum deles usava máscara, de acordo com as fotos divulgadas pelo jornal oficial do partido, Rodong Sinmum.

No seu discurso, Kim Jong-un, segundo a agência KCNA, disse que os objetivos de desenvolvimento estabelecidos no congresso de 2016 "não foram alcançados em quase todas as áreas". E reiterou que a Coreia do Norte "não deve repetir as lições dolorosas", sendo esperado um novo plano de desenvolvimento quinquenal.

O país sofre com a má gestão da economia e o plano anterior foi abandonado discretamente ano passado.
"Temos a intenção de analisar profundamente (...) as nossas experiências, lições e os erros cometidos", completou o líder norte-coreano, vestido com um fato preto em cuja lapela exibia retratos do pai e do avô, que o precederam à frente da Coreia do Norte.

O atual congresso realiza-se quando Kim Jong-un enfrenta o maior desafio dos seus nove anos de direção do país, devido ao que classificou de "crises múltiplas", com uma economia constrangida pelo encerramento de fronteiras provocado pela pandemia, uma série de desastres naturais no verão passado e a continuação de sanções internacionais, lideradas pelos EUA.

Outra fonte de preocupação é a tomada de posse do novo presidente dos EUA, Joe Biden, que, ao contrário de Donald Trump, deve evitar a diplomacia de cimeiras e manter as sanções contra Pyonyang, se a Coreia do Norte não der passos relevantes no sentido da desnuclearização.

Oficialmente, o congresso é o principal órgão de tomada de decisão do partido, se bem que no dia-a-dia as decisões são tomadas por Kim Jong-un e membros do seu círculo restrito.

O congresso vai, contudo, dar ao líder norte-coreano a possibilidade de solidificar a sua autoridade, com o anúncio de novos objetivos do Estado, a nomeação de fiéis para os principais postos e apelos à unidade sob a sua liderança.

O encerramento da fronteira com a China, que dura há um ano, o seu principal parceiro comercial, por causa da pandemia, está a ter um forte peso sobre uma economia que já estava com grandes problemas.

O comércio bilateral caiu 79% nos primeiros 11 meses de 2020, em relação ao mesmo período de 2019, segundo o analista Song Jaeguk, do Instituto de Investigação Económica IBK, baseado em Seul, que estimou em 9,3% a contração da economia norte-coreana em 2020.

No seguimento de acentuada queda do seu comércio bilateral, a Coreia do Norte experimentou uma quadruplicação de importações alimentares, enquanto o funcionamento das suas fábricas caiu para o nível mais baixo desde que Kim Jong-un ascendeu ao poder, devido à escassez de matérias-primas, segundo as informações transmitidas aos deputados sul-coreanos pela agência de espionagem da Coreia do Sul.

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