Jogadora de voleibol decapitada pelos talibãs. Mulheres desportistas perseguidas pelo regime

Seleções femininas de futebol abandonaram o Afeganistão, enquanto um dos líderes culturais dos talibãs disse que o desporto feminino é algo inapropriado e desnecessário

Uma jogador da seleção de juniores de voleibol feminino do Afeganistão, Mahjabin Hakimi, foi decapitada por extremistas talibãs, segundo notícias veiculadas esta quinta-feira.

Este é mais um sinal de que as mulheres desportistas estão em risco no regime que agora vigora no país.

Embora o Afeganistão tivesse um histórico em que os direitos das mulheres não eram respeitados, mesmo nos tempos em que os talibãs não governavam o país, foram dados nos últimos 20 anos pequenos passos de emancipação feminina em várias áreas, como o desporto. Porém, a tomada de Cabul por parte dos fundamentalistas islâmicos vai representando um retrocesso nessa matéria.

A seleção afegã de futebol feminino e os seus familiares deixaram o Afeganistão a 24 de agosto com o apoio do governo australiano, por receio de perseguição do regime talibã. A ex-capitã da seleção, Khalida Popal, confessou na altura que os últimos dias no país foram muito stressantes, mas que foi alcançada uma "vitória importante".

Por outro lado, uma seleção jovem, também de futebol feminino, rumou a Portugal, tendo chegado a treinar com a equipa de sub-15 do Sporting no Polo do Estádio Universitário.

Um dos líderes culturais dos talibãs, Ahmadullah Wasiq, disse numa entrevista a uma estação televisiva da Austrália que o desporto feminino é algo inapropriado e desnecessário, tendo dado inclusivamente o exemplo do críquete, muito praticado naquela zona do continente asiático. "Não é necessário que as mulheres joguem crítico", afirmou. "No críquete, elas podem estar em situações em que o rosto e o corpo delas não estejam cobertos, e o Islãp não permite que elas sejam vistas dessa forma", concluiu.

Já o novo diretor de desporto dos talibãs afirmou em setembro que os afegãos poderão praticar até "400 modalidades", mas não quis dizer se as mulheres poderão praticar alguma. "Por favor, não me faça mais perguntas sobre as mulheres", afirmou Bashir Ahmad Rustamzai,.

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