Israel reforça presença militar na fronteira com Gaza e prepara incursão terrestre

Quase cem pessoas já morreram desde o início da violência, a maioria do lado palestiniano. Várias companhias aéreas suspendem voos para Israel.

A hipótese de uma incursão terrestre israelita na Faixa de Gaza aumenta a cada dia, com Israel a convocar sete mil tropas que estavam na reserva e a cancelar as licenças às unidades de combate. Tropas e tanques estão a ser destacados para a fronteira, à medida que continuam os ataques aéreos contra supostas posições do movimento islamita do Hamas e da Jihad Islâmica. Estes, por sua vez, continuam a chuva de rockets contra Israel, levando várias companhias aéreas a suspender os voos para o país.

O número de mortos estava ontem, último dia do mês sagrado do Ramadão, perto dos cem. Só em Gaza, as autoridades de saúde palestinianas falam na morte de 87 pessoas, entre elas 18 crianças e oito mulheres, e 20 militantes do Hamas e da Jihad Islâmica. Há ainda mais de 500 feridos. Do lado israelita, havia registo de sete mortes, incluindo uma criança de seis anos, vítima de um rocket, e um soldado, morto por um míssil antitanque.

Israel diz que as suas tropas estão em "vários estágios de preparação para operações terrestres" junto à fronteira com Gaza, lembrando ações semelhantes em 2008 e 2009 ou durante a guerra de 2014. No passado, confrontos entre o Israel e o Hamas, incluindo o conflito de há sete anos, estiveram principalmente confinados à Faixa de Gaza e às comunidades israelitas junto à fronteira. Mas, desta vez, a violência está a ir mais longe e a espalhar-se mais rapidamente, ao nível do que ocorreu durante a segunda intifada palestiniana, em 2000.

"A decisão de bombardear Telavive, Dimona e Jerusalém é mais fácil para nós do que beber água", disse um porta-voz das Brigadas Al-Qassam, o braço militar do Hamas, numa mensagem vídeo. "O nosso conflito vai chegar onde quer que haja agressão contra o nosso povo", acrescentou. Dimona é onde fica localizado o reator nuclear israelita.

A juntar-se aos rockets palestinianos, Israel enfrenta também distúrbios em várias cidades do país onde existia uma convivência entre árabes e judeus. O ministro da Defesa, Benny Gantz, ordenou uma grande mobilização de forças de segurança nestas cidades com o objetivo de lutar contra a violência interna registada nos últimos dias. Sinagogas foram atacadas e houve registo de confrontos nas ruas, levando o presidente israelita a alertar para o perigo de uma guerra civil.

"O que está a acontecer nos últimos dias nas cidades de Israel é insuportável (...) nada justifica este linchamento de árabes pelos judeus e nada justifica o linchamento de judeus pelos árabes", disse por seu lado o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, antes de afirmar que Israel enfrenta um "combate em duas frentes". No meio do crescendo de violência, o Egito destacou enviados para falar com o Hamas e Israel, mas o diálogo não parece estar a dar frutos.

Voos suspensos

Várias companhias aéreas internacionais, entre elas a neerlandesa KLM, a britânica British Airways e a alemã Lufthansa, anunciaram a suspensão de voos para Israel. Isto depois de o movimento islamita do Hamas ter apelado nesse sentido, indicando também ter lançado um rocket com um alcance de 250 km na direção do segundo maior aeroporto de Israel, o de Ramon, perto de Eilat, a mais de 200 quilómetros da Faixa de Gaza. No início da semana, os voos que tinham como destino o aeroporto de Ben Gurion, em Telavive, começaram a ser desviados para o de Ramon.

susana.f.salvador@dn.pt

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