Investimento no Brasil durante a última década foi o menor em 50 anos

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice de investimento entre 2011 e 2020 no Brasil foi equivalente a 17,7% do PIB

A taxa de investimento no Brasil na última década foi a menor em 50 anos face ao produto interno bruto (PIB), segundo um relatório divulgado esta quinta-feira, salientando ainda que o país investe muito menos do que outras economias emergentes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice de investimento entre 2011 e 2020 no Brasil foi equivalente a 17,7% do PIB, o pior valor desde a década de 1970, quando chegou a 21,9%.

Os últimos dez anos foram marcados pela grave crise económica que o país atingiu o seu auge entre 2015 e 2016, período em que o PIB brasileiro diminuiu quase 7%, o desemprego atingiu níveis recordes e o quadro fiscal piorou.

Nos três anos seguintes (2017, 2018 e 2019), a economia brasileira cresceu timidamente 1,3%, 1,8% e 1,4%, respetivamente, mas a taxa de desemprego manteve-se na casa dos dois dígitos, associada ao crescimento exponencial do mercado de trabalho informal (sem contrato laboral).

O surgimento da pandemia do novo coronavírus arruinou o reerguer da maior economia da América Latina em 2020, ano em que registou uma contração do PIB de 4,1%, a maior queda anual desde 1996.

As restrições sanitárias para conter a covid-19, que já matou mais de 440 mil pessoas no Brasil, elevaram ainda mais o desemprego - esta quinta-feira em 14% -, um fenómeno que o Governo, presidido por Jair Bolsonaro, tentou mitigar com a distribuição de subsídios extraordinários que fizeram disparar a dívida e o défice público.

O relatório da FGV, feito a pedido do grupo Globo, também apontou que outras economias emergentes investem mais do dobro do que o Brasil, cujos dados também são inferiores à média dos países latino-americanos e das Caraíbas.

"Em 2020, cerca de 87% dos países do mundo apresentaram uma taxa de investimento superior à do Brasil", destacou o relatório da FGV, elaborado pelos investigadores Juliana Trece e Claudio Considera.

Por outro lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma taxa de investimento no Brasil de 15,4% do PIB para este ano, uma percentagem bem abaixo da média global, que será, segundo as últimas projeções da entidade, de 26,7%.

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