"Hoje o mal reina na Polónia." Donald Tusk vai liderar oposição

Após semanas de rumores, a confirmação: o ex-presidente do Conselho Europeu e atual presidente do Partido Popular Europeu regressa a Varsóvia para fazer frente ao ultraconservadorismo do governo.

Donald Tusk, de 64 anos, foi eleito neste sábado líder interino da Coligação Cívica, o partido europeísta e do centro que fundou em 2001, com a promessa de acabar com o pesadelo de um governo de uma direita cada vez mais extrema. "Sei que muitos polacos estavam à espera que este pesadelo acabasse", disse Tusk sobre a governação do partido Lei e Justiça (PiS) que conduz a Polónia numa rota em colisão com a União Europeia. "Hoje, o mal reina na Polónia e estamos prontos a lutar contra este mal", proclamou durante a convenção partidária, em Varsóvia.

Tusk, eleito presidente do Partido Popular Europeu em 2019, disse que o seu regresso à política doméstica foi determinado pela convicção de que a Plataforma Cívica é "necessária como a força que pode vencer a batalha com o Lei e Justiça sobre o futuro da Polónia", e que sem a Plataforma "não há hipótese de vitória".

Também referiu que pesou na sua decisão o "sentido de responsabilidade" pelo partido que tinha fundado e liderado antes de assumir a posição de presidente do Conselho da UE em 2014.

No início de junho, Tusk já dera um sinal de que estaria disposto a avançar. "Não preciso de satisfazer quaisquer ambições pessoais, mas sinto a necessidade de cumprir o objetivo de devolver as normas democráticas à Polónia", disse à estação TVN. "Sou capaz de tomar qualquer decisão para ajudar a voltar atrás nesta perigosa viragem dos acontecimentos para a Polónia".

Que perigosa viragem é esta? Desde a chegada ao poder, em 2015, o PiS, liderado por Jaroslaw Kaczinsky, e tendo também desde esse ano Andrzej Duda como presidente, prosseguiu uma agenda que uns consideram autoritária e ultraconservadora, outros populista e de extrema-direita, assente no ataque à independência judiciária dos media, à restrição de liberdades individuais, das mulheres e das minorias, em choque com os valores da UE, e em linha com outro governo autoritário, o húngaro de Viktor Orbán.

O atual governo do PiS e de dois pequenos aliados continuam a liderar as sondagens. Os subsídios às famílias e as políticas conservadoras continuam a ser populares (o partido recebeu 44% dos votos nas legislativas de 2019). Mas há quem aponte para a acumulação de divergências com Bruxelas e para uma luta interna pelo poder e influência como fatores que têm abalado a imagem da coligação, que recentemente perdeu a maioria no parlamento.

Será Tusk o homem que os polacos desejam para encarnar a mudança? Segundo uma sondagem publicada no jornal Rzeczpospolita há dias, apenas 28% querem que Tusk regresse à política polaca, enquanto 45% disseram que não. Outra sondagem online, com uma amostra de 800 eleitores, publicada hoje no mesmo jornal, revela que apenas 23,1% acredita que Tusk volte a ser primeiro-ministro.

Ao Politico, o vice-presidente do Senado Michal Kamiński diz que Tusk é a "única" pessoa na oposição capaz de enfrentar o PiS. "A questão principal não é se Donald Tusk deve regressar à Plataforma Cívica, mas se não é demasiado tarde para o salvar", comentou este ex-militante da Plataforma.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG