Harry acusa família real de negligência. Após a morte da mãe refugiou-se no álcool e em drogas

Numa nova entrevista a Oprah Winfrey, mas agora para uma série documental sobre saúde mental, o príncipe Harry revela os tempos conturbados que viveu após a morte da mãe. Sofreu de ansiedade, teve ataques de pânico e conta que refugiou-se no álcool e em drogas.

O príncipe Harry abre o coração e revela os tempos conturbados que viveu após a morte da mãe, a princesa Diana - num acidente de carro, em 1997 -, e volta a falar na falta de empatia da família real em relação a ele e à mulher, Meghan Markle.

Novas revelações feitas agora numa nova série documental dedicada à saúde mental, emitida esta sexta-feira na Apple TV+, um dia depois de um relatório independente revelar que a BBC encobriu as práticas "fraudulentas" utilizadas pelo jornalista Martin Bashir para garantir a famosa entrevista à princesa Diana

"Pensei que a minha família iria ajudar-me, mas todos os pedidos, os sinais encontraram um silêncio ou uma total indiferença", explicou Harry que acusa a família de negligência em relação às dificuldades que o casal enfrentou, referindo-se, por exemplo, à depressão da mulher, depois do nascimento do filho Archie.

De referir que ambos afirmaram que sofreram problemas psicológicos. Meghan Markle até revelou que pensou em cometer suicídio em 2019, como contou na entrevista que deu a Oprah Winfrey, emitida na CBS no início de março.

Na série intitulada "The me you can't see" ("O eu que não podem ver", em tradução livre), que o duque de Sussex coproduziu com Oprah Winfrey, Harry diz que tinha vergonha de pedir ajuda à família "porque sabia que não dariam o que precisava".

Nesta série documental, Harry critica novamente o pai, acusando-o de indiferença para com os filhos. "Quando era mais jovem, o meu pai disse-me a mim e ao William: 'Foi assim para mim, então será a mesma coisa para vocês", revelou Harry, de 36 anos. "Não faz sentido", continuou o duque de Sussex. "Só porque sofreu isso não significa que os filhos também devem sofrer. Na verdade, é o oposto (...)", considerou.

O duque de Sussex revela no documentário que, em adulto, refugiou-se no álcool e em drogas para tentar superar o trauma da morte da mãe. Chegou a beber em apenas um dia, uma quantidade de álcool equivalente a uma semana.

Ansiedade e ataques de pânico fizeram da vida de Harry um "pesadelo"

"Estava disposto a beber, a consumir drogas, a fazer coisas que me fizessem sentir menos como me estava a sentir", recordou. "Mas aos poucos fui percebendo que não estava a beber de segunda a sexta-feira, mas provavelmente bebia o equivalente a uma semana num dia de sexta-feira ou sábado à noite", detalhou o príncipe Harry.

Lembrou a altura entre os 28 e os 32 anos, já como membro sénior da família real, como sendo um "pesadelo", uma vez que sofria de ansiedade severa e de ataques de pânico.

"Todas as vezes que vestia um fato e uma gravata e tinha um papel a desempenhar ou algo do género, [eu pensava] vamos lá. Antes mesmo de sair de casa estava a transpirar", lembrou em conversa com Oprah Winfrey.

O dia do funeral da mãe. "Era como se eu estivesse fora do meu corpo, apenas a caminhar e a fazer o que era esperado de mim"

No documentário, o duque de Sussex recuou também ao dia do funeral da mãe. Tinha 12 anos quando o vimos ao lado do irmão, do pai e do tio a caminhar atrás do caixão onde estavam os restos mortais da princesa Diana.

"O que eu mais me lembro é o som dos cascos dos cavalos", lembrou. "Era como se eu estivesse fora do meu corpo, apenas a caminhar e a fazer o que era esperado de mim. A mostrar um décimo da emoção que todas as pessoas estavam a mostrar: esta era minha mãe - vocês nem sequer a conheciam."

De referir que a maioria dos britânicos tem uma opinião desfavorável ​​sobre Harry e Meghan, de acordo com uma sondagem recente do YouGov, enquanto a popularidade do país, o príncipe Carlos, aumentou.

Harry também contou como a terapia que iniciou há mais de quatro anos lhe permitiu "quebrar o ciclo" e não reviver o que o pai e, principalmente, a mãe sofreram

Foi a relação com Meghan que o levou a encontrar uma solução para os problemas psicológicos que o atormentavam desde a morte da mãe Diana, que perdeu a vida num acidente de carro, em 1997.

"Sabia que se não começasse a terapia para melhorar, perderia a mulher com quem me vejo a passar o resto da minha vida", afirmou.

"A terapia permitiu-me enfrentar tudo", disse Harry na série, na qual participam várias personalidades que falam sobre seus problemas mentais, como o jogador profissional de basquetebol DeMar DeRozan e a cantora Lady Gaga.

Para surpresa geral, o duque e a duquesa de Sussex anunciaram em janeiro de 2020 a intenção de abdicar dos seus deveres reais. Meses depois, mudaram-se para a Califórnia.

Harry diz que o que mais lamenta é não ter assumido uma postura mais cedo, denunciando o racismo sofrido pela ex-atriz, de mãe negra e pai branco, na imprensa e nas redes sociais.

No entanto, o príncipe não acusa a própria família de racismo nesta série documental, apesar de em março ter dito que um familiar estava preocupado com a cor da pele do filho antes de ele nascer. A acusação abalou o Palácio de Buckingham, mas o príncipe William assegurou que os Windsors "não são uma família racista".

Atualizado às 14:40

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