Governador de Nova Iorque acusado de assediar várias mulheres 

Pelo menos oito trabalhadoras atuais e ex-funcionárias denunciaram palavras e gestos inadequados do democrata, muito elogiado pela gestão da pandemia.

"A investigação independente concluiu que o governador Andrew Cuomo assediou sexualmente várias mulheres e, ao fazer isso, violou a lei federal e estadual", declarou a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James. Algumas das vítimas eram funcionárias do governador de Nova Iorque, garantiu a procuradora-geral do estado ao anunciar as conclusões de uma investigação independente sobre as acusações feitas contra o democrata.

A procuradora garantiu que a investigação mostrou como Cuomo "assediou sexualmente funcionárias e ex-funcionárias do estado de Nova Iorque, ao avançar com toques não desejados e não consentidos e ao fazer vários comentários de natureza sexual sugestiva que geraram um ambiente de trabalho hostil para as mulheres".

A investigação também descobriu que Cuomo e a sua equipa mais próxima tomaram medidas de represália contra pelo menos uma ex-funcionária por denunciar a sua experiência.

Letitia James disse ainda que as provas encontradas durante a investigação serão publicadas junto com o relatório.

Pelo menos oito mulheres, trabalhadoras atuais e ex-funcionárias, denunciaram o que, segundo elas, foram palavras e gestos inadequados por parte de Cuomo, cuja gestão da pandemia de covid-19, por outro lado, foi elogiada em todo o país. Cuomo nega esses comportamentos de assédio sexual e rejeita os pedidos de renúncia, aos quais se somaram inclusive colegas de partido de Nova Iorque e do Congresso americano.

Em março, o presidente Joe Biden garantiu que se as acusações contra Cuomo fossem comprovadas, ele deveria demitir-se.

Elise Stefanik, a terceira figura dos republicanos na Câmara dos Representantes, foi uma das primeiras a reagir às conclusões da investigação. "O governador Cuomo tem de se demitir e ser detido imediatamente", escreveu no Twitter.

Também no congresso estadual de Nova Iorque se ouviram apelos à saída do governador. Andrea Stewart-Cousins, líder da maioria no Senado, sublinhou que "devia ser claro para todos que Cuomo não pode continuar a servir como governador". E Carl Heastie, speaker da Assembleia de Nova Iorque, admitiu que a investigação revelou que o governador "não é a pessoa adequada para o cargo".

Os investigadores revelaram alguns dos pormenores das alegações contra Cuomo. Uma ex-funcionária disse que no ano passado o governador colocou a mão debaixo da sua blusa, enquanto uma dos membros da sua segurança o acusou de lhe ter tocado de forma inapropriada no estômago e na anca.

"O seu comportamento foi não uma mera demonstração de afeto à moda antiga, como ele e a sua equipa dirão, mas sim verdadeiro assédio sexual", afirmou Anne Clark, uma das advogadas que lideraram a investigação.

As mulheres envolvidas nestas denúncias podem agora decidir se avançam com ações civis contra o governador.

A procuradora-geral James saudou a coragem das denunciantes: "Estou inspirada por todas estas mulheres de coragem."

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