"Ganância" e "capitalismo" na base do sucesso da vacinação no Reino Unido, diz Boris Johnson

As declarações do primeiro-ministro britânico foram proferidas numa reunião com deputados, feita por Zoom, numa altura em que a UE ameaça o Reino Unido com a proibição das exportações de doses da vacina contra a covid-19.

A frase de Boris Johnson, durante uma reunião com deputados, via Zoom, pode incendiar, ainda mais, a polémica entre a União Europeia e a farmacêutica AstraZeneca, numa altura em que o Reino Unido enfrenta a ameaça da Comissão Europeia de proibir as exportações da vacina contra a covid-19.

"A razão de termos sucesso na vacinação é por causa do capitalismo e da ganância, meus amigos", afirmou Boris Johnson, acrescentando mais tarde arrependimento em relação às palavras que proferiu.

"Na verdade, arrependo-me de ter dito isto. Esqueçam que eu disse isso", pediu várias vezes aos deputados.

As declarações do primeiro-ministro britânico foram publicadas pelo jornal The Sun e estão a ter eco em vários meios de comunicação social, como a BBC e a Reuters.

Ao jornal e à estação de televisão, fontes não identificadas afirmaram que Boris Johnson não se estava a referir à questão que envolve a União Europeia e os atrasos na entrega das doses da vacina da farmacêutica anglo-sueca.

A BBC escreve, tendo como base uma fonte do governo, que o primeiro-ministro estava a referir-se à motivação do lucro que leva as empresas a desenvolver novos produtos, sendo que Johnson também elogiou as farmacêuticas.

Já o deputado David Davies, que esteve na reunião, disse à emissora britânica que o primeiro-ministro "deixou absolutamente claro que era uma piada - uma referência ao filme Wall Street". Para este deputado, quem tornou pública a declaração "foi muito irresponsável". Versões diferentes para a mesma conversa, portanto.

Mas há outra versão da reunião que a editora política da BBC, Laura Kuenssberg, ouviu. Parece que as palavras de Boris Johnson eram, afinal, uma piada sobre um dos políticos presentes, Whip Mark Spencer, que estava a comer uma sandes de queijo enquanto o primeiro-ministro estava a falar.

A residência oficial do primeiro-ministro britânico, o número 10 de Downing Street, optou por não comentar à Reuters as polémicas declarações de Boris Johnson.

A ministra do Interior, Priti Patel, afirmou à agência de notícias que não esteve presente na reunião, mas referiu que "o primeiro-ministro sempre reconheceu o grande sucesso" do Reino Unido "em termos de vacinação". "Não apenas o lançamento, que é incrível, mas também a nossa capacidade como país de desenvolver a vacina. Bem como o desempenho as farmacêuticas, da ciência e da tecnologia", afirmou a governante.

A BBC conta que fontes garantem que Johnson não pretendeu criticar, de forma alguma, as farmacêuticas.

De referir que foi noticiado que Boris Johnson está esta semana a contactar os líderes europeus para tentar impedir que a União Europeia proíba as exportações da vacina contra a covid-19, na sequência entre o diferendo entre o bloco comunitário e a farmacêutica AstraZeneca, que começou com o atraso na entrega das doses estipuladas no contrato feito com a Comissão Europeia.

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